Welteke prevê crescimento da economia européia
Frankfurt, 21 (AE-AP) - O presidente-designado do Bundesbank, Ernst Welteke, declarou hoje que a economia do euro deverá voltar a ter um período de crescimento sustentado, com baixa inflação, ao passo que a economia americana deverá desacelerar-se, e o valor do euro tenderá a aumentar, em vista desses dois fatores.
"Não é preciso ser profeta para dizer que a distância entre o crescimento dos Estados Unidos e o da Europa diminuirá", disse Welteke, membro do Conselho do Bundesank, durante discussão mantida em um foro da Bloomberg. "Os números atuais mudarão muito em breve. Um crescimento mais vigoroso provavelmente não gerará pressões favoráveis ao aumento de preços na economia tão logo, ponderou Welteke, descartando a possibilidade de que o Banco Central Europeu venha a aumentar os custos dos empréstimos em breve. "No momento não vejo nenhuma necessidade de discussão sobre taxas mais altas na área da moeda européia." O euro baixou 11% em relação ao dólar desde o início do ano, em virtude do crescimento maior do que o esperado registrado nos Estados Unidos. Hoje, o euro baixou de US$ 1,0372 para US$ 1,0317, depois que os investidores interpretaram os comentários do presidente-designado da Comissão Européia, Romano Prodi, sobre a competitividade da Itália como um sinal de que o lugar daquele país na zona do euro poderia estar em risco.
O presidente do Bundesbank, Hans Tietmeyer, declarou, hoje, em discurso pronunciado em Hanover, Alemanha, que a chave da reativação do euro estaria na realização de reformas convincentes dos mercados de trabalho e do sistema tributário da Alemanha, o maior país da área do euro. Ataxa de câmbio do euro reflete "a situação não muito impressionante da Alemanha," frisou Tietmeyer.
Segundo acrescentou, Welteke não espera pela continuidade do enfraquecimento do euro se o Federal Reserv dos Estados Unidos aumentar o custo dos empréstimos, como afirmou que talvez venha a fazer nos próximos meses. Um aumento da taxa de juros nos Estados Unidos reduziria os ganhos nas Bolsa de Ações dos EUA e o crescimento de sua economia.
Os mercados monetários já adequaram seus preços a um aumento das taxas nos Estados Unidos, de acordo com Welteke. "As taxas de juros mais altas nos EUA provocarão uma mudança de atitude dos consumidores, em vista das baixas nos mercados de ações", afirmou Welteke, " e...o desenvolvimento econômico em geral dos Estados Unidos poderia mudar." Welteke advertiu que o Banco Central Europeu (BCE) não deveria ignorar o valor da taxa de câmbio do euro, acrescentando que a fraqueza do euro, no momento
está favorecendo o crescimento europeu.
"O BCE deve ter interesse por um euro forte", disse. "Mas ainda assim, o euro mais fraco favorece o crescimento. As indústrias orientadas para a exportação mantêm-se firmes_ carros
produtos químicos, máquinas-ferramenta - e, dessa forma, estão ajudando a tornar o crescimento europeu mais próximo do crescimento dos Estados Unidos." Welteker declarou-se contrário à intervenção na taxa de câmbio em favor do euro,já que os bancos centrais só têm um poder limitado contra as forças do mercado. Respondendo a perguntas sobre a intervenção do BCE, na semana passada, em favor do Banco do Japão, para prevenir o aumento do iene em relação a outras moedas, ele declarou: "Não creio que, por meio da intervenção, se possa estabelecer uma taxa de câmbio." "Estou convencido de que o euro desempenhará um papel importante nos mercados internacionais, ao lado do dólar," prosseguiu Welteke.
"Quando as expectativas de sua valorização se concretizarem, os investidores passarão a usar mais o euro." Welteke assumirá seu novo cargo e passará a ter direito a um lugar no Conselho responsável pela estipulação de taxas do BCE após o afastamento de Tietmeyer, em agosto. O BCE, de âmbito regional, estipula a política monetária da Alemanha, França, Itália, Espanha, Portugal, Holanda, Bélgica, Finlândia, Luxemburgo, Irlanda e áustria.





