Goiânia, 22 (AE) - O compositor Wellington Camargo só estará em condições de prestar depoimento à polícia no fim de semana. Segundo a psicóloga Margarette Romano, que vem acompanhando o compositor desde que ele chegou ao Hospital Amparo, ele está bastante traumatizado. Wellington evita o espelho por causa da orelha mutilada pelo sequestradores. "Perdi um pedaço de mim, mas ganhei uma nova vida", disse hoje
em entrevista.
Apesar de parcialmente sedado, por causa das dores que nas costas e pela mutilação da orelha, o compositor não conseguiu dormir direito. Ele acordou várias vezes com pesadelos e sobressaltado. "Mas, apesar disso, ele está emocionalmente bem", afirmou a psicóloga. "Estou triste, mas vou superar", afirmou Wellington.
Segundo o compositor, o filho Daniel, de 5 anos, é uma das razões pela qual suportou o cativeiro durante 95 dias. "Onde não tem força é que temos que encontrar a força", afirmou Wellington, assegurando que no cativeiro, só pensava em Jesus e Deus, além de Daniel. "´Foi difícil, dolorido, mas por ele (Daniel), encontrei forças para lutar".
Margarette confirma que Wellington ainda não aceitou a mutilação."Ele ainda não superou." Wellington teve dois terços da orelha esquerda cortada pelos sequestradores, que enviaram o pedaço como comprovante de vida da vítima.
Segurança - Wellington pensa em gravar um CD com músicas evangélicas, mas vai mudar de bairro e andar com seguranças, seguindo sugestão dos irmãos Zezé di Camargo e Luciano. Porém garantiu que não vai deixar os amigos, principalmente os de Jardim América, onde morava e foi sequestrado. "Eles sempre serão meus amigos".
O compositor pretende visitar, junto com Zezé di Camargo e Luciano, o motoqueiro Donizete Macário Vieira, que o encontrou em uma estrada, onde foi deixado pelos sequestradores, no domingo.

mockup