O compositor e comerciante Wellington José de Camargo, 28 anos, que ficou 94 dias em poder de sequestradores, disse ontem, em Goiânia, que o pior momento vivido no cativeiro foi quando lhe cortaram parte da orelha direita.
O compositor disse que sempre pedia a Deus que não o deixasse perder a vida de forma tão banal e brutal. ‘‘Eu tive medo da morte. Eles diziam que se a minha família não pagasse, eles me matariam, que não teria jeito de me soltarem sem o pagamento’’.
Apesar do medo, Wellington disse que nunca perdeu a esperança de viver, uma vez que sempre se lembrava da frase que afirma que ‘‘enquanto há vida, há esperança’’.
Evangélico há quatro anos, Wellington disse que os piores momentos vividos no cativeiro foram quando os sequestradores o agrediram e ameaçaram matá-lo com tiros de fuzil AR-15. ‘‘Eles chegaram a me agredir. Foi quando eles queriam que eu dissesse onde morava um dos filhos dos meus irmãos. Só que como eu me neguei a responder, eles me bateram’’.
O compositor contou ter pensado sempre em seus dois filhos e nos parentes. Por não suportar mais tanta pressão - e pelo medo de não vê-los nunca mais -, Wellington se debatia no quarto. Em algumas dessas crises de depressão, chegou a puxar os próprios cabelos e a se morder nos braços.
Afirmando que já perdoou os sequestradores - uma vez que ‘‘só Deus pode condenar alguém -, ele ressaltou que no cativeiro não tinha noção de dia e nem de mês. ‘‘A respeito do churrasco que eu cheguei a participar, não é verdade. O que aconteceu foi o seguinte: eles (os sequestradores) diziam que tudo o que eles comessem eu comeria. Então, tinha dia que eles faziam churrasco, e eles me davam churrasco. Eles não iam fazer a carne assada, fazer um churrasco, e preparar um frango cozido para mim’’.
Ao ficar sabendo que os sequestradores iriam cortar sua orelha, pediu que fosse amarrado e que eles tapassem sua boca. ‘‘Com certeza, essa foi a pior hora, porque o corte doeu muito’’.
‘‘O que aconteceu foi o seguinte, há muita especulação sobre esse assunto. Eles falaram para mim: Olha, a sua família está achando que é um auto-sequestro. Então nós vamos provar para eles que não é. Você quer que corte o que? O dedo ou a orelha? Eu não escolhi, é lógico, não é? Se alguém perguntar a vocês o que vocês querem perder ninguém vai responder, não é? Mas graças a Deus, eles cortaram uma parte que pode ser recuperada com mais facilidade’’.
Não disfarçando a alegria em estar novamente ao lado da esposa, filhos e pais, Wellington fez um alerta ‘‘às pessoas famosas’’ . ‘‘Gostaria que o que aconteceu comigo servisse de exemplo e que todas as pessoas famosas não expusessem seus familiares, uma vez que, infelizmente, algumas pessoas no Brasil ainda confundem fama com riqueza. Eu fiz uma homenagem a meu irmão na televisão, e o Brasil todo viu no que deu’’, completou.

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