Goiânia, 25 (AE) - O compositor Wellington José de Camargo revelou, hoje, em sua primeira entrevista coletiva desde que foi libertado, detalhes de seu sequestro. Ainda se recuperando do trauma provocado pelos 95 dias de cativeiro, o compositor esteve hoje na Delegacia de Investigações Criminais de Goiás (Deic), para fazer o reconhecimento dos sequestradores e afirmou que o pior momento de todo o sequestro foi quando teve sua orelha esquerda cortada. "Eles cortaram sem dó nem piedade", contou. Mostrando-se feliz por estar em liberdade, disse que não deseja mal aos sequestradores e não quer que eles sofram como ele sofreu. "Se Jesus perdoou, não serei eu que não vou perdoar", declarou.
Falando sobre a mutilação que sofreu, Wellington Camargo explicou que pediu para ser amarrado e amordaçado porque não suportaria a dor. Segundo ele, enquanto um sequestrador o segurava, outro aplicou o golpe. Antes, disse, foi sedado. De acordo com o compositor, o bilhete sobre a mutilação foi escrito por volta das 20 horas de sexta-feira. A revelação derruba versões dos sequestradores, que afirmaram ter cortado a orelha por causa de matérias sobre a hipótese de auto-sequestro veiculadas por revistas semanis que só circularam no sábado. Medo da morte - O compositor admitiu ter sentido medo da morte várias vezes por causa das constantes ameaças. "Eles diziam que se minha família não pagasse o resgate, me matariam", lembrou. Para espantar o medo, contou, recorria a um velho ditado: "Enquanto há vida, há esperança".
Apesar dos criminosos terem declarado que Wellington foi "muito bem tratado" durante o período em que permaneceu no cativeiro, o rapaz foi enfático: "Ninguém é bem tratado levando tapa na cara". Além da orelha extirpada, ele revelou ter sido agredido várias vezes. "Eles me davam tapa porque eu me recusava a dizer o endereço do filho do meu irmão", contou.
Wellington Camargo contou que a falta de uma cadeira de rodas para se locomover era uma das coisas que mais o incomodava. Segundo o rapaz, ele ficava o tempo todo deitado. Disse que poucas vezes ouviu notícias sobre seu sequestro, apesar de um rádio estar sempre ligado. "Eu vi TV algumas vezes
tive acesso a algumas revistas e jornais", contou. Resgate - Hoje, o delegado José Pinheiro, do Grupo Anti Sequestro (GAS) da Polícia Civil de Goiás, devolveu ao irmão de Zezé Di Camargo e Luciano, Emanuel Camargo, o dinheiro do resgate recuperado com os sequestradores. Emanoel recebeu exatos US$ 261,4 mil das mãos do delegado e agradeceu o trabalho da polícia.
Os sequestradores prestaram depoimento durante toda noite. Confessaram a autoria do crime, mas não apontaram quem teria cortado a orelha de Wellington. Todos estão assumindo a culpa pela mutilação.

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