Porto Alegre, 1 (AE) - A Weg S.A., maior fabricante nacional de motores elétricos com sede em Jaraguá do Sul (SC), inaugura na próxima semana sua décima-primeira filial no exterior. O escritório de vendas e assistência técnica ficará no México e vai permitir também a avaliação do mercado local para a ver se "vale a pena" instalar uma fábrica própria naquele país
informou o diretor administrativo, Alidor Lueders.
O executivo explicou que uma base industrial no México serviria para atender principalmente ao mercado dos Estados Unidos, que representa vendas anuais ao redor de US$ 50 milhões para a empresa. "A Weg decidiu ser um player mundial e se for necessário ficar mais próxima dos clientes instalará uma fábrica no exterior", acrescentou o diretor de marketing, Walter Janssen Neto. A própria estrutura de capital da companhia já está internacionalizada, com 18% nas mãos de fundos internacionais, lembrou.
A opção pelo México deve-se a fatores de custos "semelhantes" ao Brasil em itens como mão-de-obra e à participação do país no Nafta (Mercado Comum da América do Norte), disse Lueders. De acordo com ele, a região de Monterey é interessante por possuir uma Zona de Processamento de Exportações, com vantagens para as empresas exportadoras.
Lueders e Janssen Neto, que participaram no final da tarde de ontem (30) de uma apresentação promovida pela Associação Brasileira dos Analistas do Mercado de Capitais -regional Sul (Abamec-Sul), reiteraram que a empresa quer aumentar sua exposição internacional para reforçar sua posição de fornecedora de empresas globais, como a Whirlpool, fabricante de eletrodomésticos norte-americana.
O diretor administrativo revelou ainda que a empresa dispõe de um caixa de R$ 400 milhões para bancar o eventual investimento. Os recursos que faltarem poderão ser obtidos por intermédio da emissão de ações no mercado ou operações de "project finance" junto a instituições internacionais. A unidade no exterior também poderia ser implementada através de uma "joint-venture" com outro fabricante, acrescentou Lueders.
Em 1998, as exportações da Weg para 50 países responderam por 22% do seu faturamento de R$ 628 milhões. Para este ano, a estimativa da empresa é de uma receita total 21% maior, na faixa dos R$ 760 milhões. As vendas externas, concentradas no segmento de motores industriais (trifásicos), deverão responder por uma fatia mais expressiva, de 28%, devido à desvalorização cambial e ao consequente ingresso de um maior volume de reais no caixa, explicou Lueders.
De acordo com ele, nos cinco anos seguintes a contar de 1998 a expectativa é de um crescimento médio de 12% ao ano no faturamento, com ênfase no mercado externo, que deverá apresentar saltos de até 24% no período. Se as projeções se confirmarem a Weg estará apurando uma receita próxima de R$ 1 bilhão em 2003.
No início do ano que vem a empresa, que já mantém cinco unidades industriais em Jaraguá, Blumenau e Guaramirim, em Santa Catarina, e Guarulhos, em São Paulo, vai inaugurar outra fábrica
desta vez dedicada à produção de motores para lavadoras de roupa. Ela ficará em Jaraguá e vai concentrar as linhas vêm operando em duas outras unidades diferentes, exigindo um investimento de R$ 34 milhões, informou Lueders.
Conforme o diretor, a nova fábrica vai oferecer ganhos de produtividade e tecnologia, garantindo maior competitividade a este tipo de motor (monofásico) no mercado externo. Ele não soube calcular que parcela da produção local de 5 mil unidades no primeiro ano e 10 mil a partir de 2001 será destinada à exportação, mas comentou que o projeto faz parte da estratégia de ampliar o grau de internacionalização da empresa.

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