O ministro da Cultura Francisco Weffort disse ontem em Maringá que a crise financeira que assola o país não afeta o setor cultural. ‘‘Não quero elogiar a crise, mas ela não é uma coisa que nos impede de exercer a atividade cultural. Pelo contrário, revitaliza a atividade turística cultural: ao invés de ir a Cancún ou a Miami, o brasileiro agora poderá conhecer seu país. Com o dólar subindo, a chance de fazer turismo lá fora diminuiu, aumentando o turismo interno. Como vocês vêem, a crise não traz somente efeitos negativos’’, disse o ministro.
Weffort anunciou que o seu ministério, este ano, entre orçamento e empréstimos do exterior, terá uma verba de R$ 550 milhões, 20% superior à do ano passado, para investir em 998 projetos culturais. ‘‘Em cultura é assim: quanto mais projetos você atende, mais projetos você cria’’.
Ele disse crer ‘‘firmemente que o governo irá contornar a crise financeira. A expectativa do governo e dos analistas do mercado é de que o dólar se fixe em R$ 1,60. A crise brasileira assusta o Japão e preocupa os Estados Unidos. Mas são eles os principais interessados em que a crise se dissipe, mesmo porque são eles os que mais investem nos nossos setores produtivos’’.
O ministro apostou que o filme ‘‘Central do Brasil’’ vai ganhar o Oscar de melhor filme estrangeiro. Disse que o país dobrou o número de filmes que está produzindo, numa média entre 20 e 25 por ano, e que a meta de seu ministério neste ano é também duplicar o número de salas existentes no país. A prioridade do ministério - garantiu Weffort - em 99 será o investimento no patrimônio histórico. ‘‘Vamos investir US$ 200 milhões emprestados pelo BID em São Luís do Maranhão, Olinda, Recife, Ouro Preto e alguma coisa em São Paulo e no Rio’’, afirmou.
O ministro da Cultura veio a Maringá a convite do deputado Ricardo Barros e da chefe da representação do governo do Paraná em Brasília Cida Borguetti. Weffort conversou com a imprensa no Teatro Reviver, de madeira, levantado com recursos da Lei Sarney e muito pouco usado pela prefeitura local, conversou com prefeitos da região, políticos e empresários no teatro do Colégio Marista (onde ouviu sugestões para projetos culturais), conheceu a catedral de Maringá e o Teatro Kalil Haddad. Hoje cedo ele se encontra com o governador Jaime Lerner em Pitanga.
Weffort disse ao prefeito Jairo Gianoto (PSDB), de Maringá, e à secretária estadual de Cultura Lúcia Camargo que o seu ministério está aberto a sugestões para investimentos culturais no Paraná. ‘‘Investimos 85% de nossos recursos na região sudeste do país e apenas 6% no sul. Temos que mudar isto. Gostaria de dar mais atenção ao Paraná, abrir mais os nossos contatos. Mas depende dos paranaenses apresentarem as sugestões’’.
O prefeito Gianoto disse que vai enviar ao ministro uma lista de sugestões para investimentos em áreas culturais. A secretária Lúcia Camargo afirmou que não trazia nenhum projeto ou sugestão pronta para o ministro. ‘‘Vim apenas para pedir uma atenção especial ao Paraná. O governo federal investe muito no eixo Rio-São Paulo. Mas também acho que devemos fazer uma campanha para levantar a auto-estima cultural dos paranaenses. Temos que nos mostrar mais. Por enquanto, somos apenas excelentes consumidores dos produtos que vêm de fora’’, disse Lúcia Camargo.Marcos NegriniOtimismoFrancisco Weffort anunciou que seu ministério terá um orçamento de R$ 55 milhões, 20% superior ao de 98Marccio W. Varella

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