A pretexto de salvar vidas, uma infinidade de e-mails circulam nos correios eletrônicos, sem qualquer comprovação científica e induzem as pessoas ao erro. Um deles, por exemplo, ensina o internauta a 'socorrer' uma vítima de AVC (Acidente Vascular Cerebral) e evitar sequelas. Conforme a mensagem, o primeiro passo é furar a ponta dos dedos de cada mão com uma seringa ou agulha esterilizada e apertá-los até obter uma gota de sangue. Em seguida, aperte os lóbulos das orelhas e pique-os também até sangrarem. A expectativa é que nesta etapa a vítima esteja consciente e possa ser encaminhada ao hospital. O autor ainda faz o seguinte alerta: mantenha a pessoa imóvel durante o 'atendimento' para impedir o rompimento dos vasos capilares e danos irreparáveis como a paralísia.
Segundo o neurologista Breno Ferraz, a única recomendação frente um provável AVC é buscar o auxílio médico. ''Diminuir rapidamente a pressão arterial às custas de medicamentos, na verdade, piora o estado da vítima. O indicado é reduzi-la gradualmente porque, neste caso, a hipertensão é uma reação indireta do organismo ao bloqueio da artéria. Inibi-la drasticamente é facilitar a ação do Acidente Vascular Cerebral (AVC)'', explicou. Para ele, a internet é um instrumento valioso quando utilizado com precaução. ''Sites oficiais de entidades médicas ou pertencentes a especialistas renomados podem ser considerados. Todavia, nada substitui o diagnóstico de um profissional'', alerta.
Há duas semanas, o comerciante Luiz Carlos, 57 anos, de Londrina, sofreu um AVC isquêmico que paralisou o lado direito do corpo e afetou a fala. ''Acordei com ele vomitando e falando enrolado'', detalhou a esposa Maria Inês, que preferiu omitir o sobrenome da família. Segundo ela, Luiz é diabético, hipertenso e estressa-se com o trabalho. Durante quase 20 anos, o comerciante usou medicamentos para controlar essas disfunções, mas, há quatro, não visita um médico.
''Tomava os mesmos remédios sugeridos no passado porque estava cansado daquela vida. Sabíamos que algo ruim podia acontecer. Mas - mesmo assim - foi um susto. Certamente, o prejuízo seria maior se o SAMU não fosse tão rápido'', afirmou a dona de casa. Em seu histórico, Luiz acumula ainda a predisposição genética (mãe também é diabética e hipertensa) e mal estar constante. Após sete dias de internação, sendo dois na UTI, Luiz pretende retomar o quanto antes sua rotina. ''Porém, a partir de agora, moderadamente'', garante a esposa.

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