Washington quer que saída de Milosevic seja objetivo da Otan
Washington, 05 (AE-ANSA) - A administração Clinton e a Otan consideram seriamente a hipótese de incluir a remoção do presidente iugoslavo, Slobodan Milosevic, entre os objetivos da guerra aérea contra Belgrado, disse hoje (05) o Washington Post.
"Há um consenso crescente nesta direção", afirmaram ao jornal fontes da administração norte-americana.
Segundo as fontes, a campanha de terror que, de acordo com a Otan, Milosevic lançou na província de Kosovo desde o início dos bombardeios, convenceu os líderes políticos da organização da dificuldade de um acordo com o presidente iugoslavo.
A idéia da remoção de Milosevic, afirma o Washington Post, foi discutida na sexta-feira (02) por Clinton e seu conselho de guerra.
A secretária de Estado, Madeleine Albright, manteve no mesmo dia uma reunião por telefone com os ministros do Exterior da Grã-Bretanha, França, Alemanha e Itália, países da Otan que integram o Grupo de Contato, acrescentou o jornal.
As fontes deixaram claro que nenhuma decisão foi tomada, assim como nenhuma estratégia precisa foi preparada. Apesar disso, Albright expressou publicamente suas dúvidas sobre a possibilidade de continuar qualquer tipo de negociação com Milosevic.
"Cada vez mais pessoas se perguntam como é possível tratar com alguém que está por trás de tudo isto. É um problema sobre o qual estamos nos concentrando", disse Albright à cadeia de televisão NBC.
O Washington Post acrescentou que muitas hipóteses estão sendo discutidas, entre elas o apoio aos dissidentes iugoslavos para um golpe de estado.
Outra hipótese, sempre segundo o jornal, é que a Rússia ou outra nação "amiga" convença Milosevic a exilar-se voluntariamente em troca de um tratamento positivo no tribunal internacional para crimes de guerra de Haia.
Há alguns dias, lembrou o jornal, Milosevic enviou sua família para Creta por razões de segurança.
Não é a primeira vez que os Estados Unidos colocam como objetivo a remoção de um líder inimigo: as tentativas para tirar do poder o presidente iraquiano, Saddam Hussein, já duram oito anos.





