Washington, (AE) - A passagem, depois de amanhã (terça-feira), de mais um aniversário do último grande queda da Bolsa de Nova York, em 1987, não ajudará a acalmar os nervos dos investidores quando o mercado abrir amanhã. Wall Street já viu outros "crashes" em outubro - o maior de todos, em 1929, e o mais recente, em 1989 - e tem razões especiais para acreditar que as bruxas estão soltas depois de amargar, na semana passada, a maior queda percentual semanal do índice Dow Jones (5,9%) em uma década. A perda acumulada de 11,5 % em relação ao ponto mais alto do mercado, alcançado em julho, já ultrapassa os 10% que os analistas usam para diferenciar uma simples correção de um desabamento da bolsa.
E a expectativa da divulgação do Índice de Preços ao Consumidor (CPI), terça-feira, aumenta a ansiedade. O temor é que o CPI confirme o péssimo sinal dado pelo Índice de Preços ao Produtor (PPI) na sexta-feira passada - um salto inesperado de 1,1% em setembro. A explosão do PPI ampliou o pânico provocado pela advertência feita na véspera pelo presidente do banco central dos EUA, Alan Greenspan, sobre os riscos da valorização excessiva dos preços das ações e convenceu os investidores de que o Federal Reserve aumentará os juros em sua próxima reunião, no dia 16 de novembro. Um aumento do PCI que indique o retorno da pressão inflacionária na economia sugerida pelo PPI transformará essa convicção em certeza e manterá o mercado deprimido.
Potencialmente mais sério, dizem os analistas, é que isso reforçará a preocupação geral com o possível esgotamento do efeito positivo que a espetacular valorização das ações no mercado, sobretudo na área de tecnologia, teve nos últimos anos sobre a confiança dos americanos no futuro da economia. Com suas carteiras de investimentos e seus fundos mútuos dobrando em valor a cada três ou quatro anos e os juros baratos, os consumidores alimentaram uma das maiores expansões econômicas da história dos EUA contraindo um recorde de mais de US$ 600 bilhões em dívida. Esse "efeito riqueza" é uma das preocupações de Greenspan.
Desde dezembro de 1996, quando lançou sua primeira advertência sobre a "exuberância irracional" do mercado de ações, o presidente do Fed vem calibrando suas declarações e, mais recentemente, a política monetária, para murchar a bolha que o endividamento dos consumidores ajuda a alimentar e impedir que ela leve a um superaquecimento da economia, que traria de volta a inflação e forçaria o Fed a pisar no freio. O objetivo do presidente do BC e da política monetária dos EUA é conduzir a economia para um pouso suave num patamar de crescimento mais baixo dos que os 4% dos últimos dos anos, no qual a extraordinária era de prosperidade que os EUA vivem desde 1992 possa continuar, com estabilidade nos preços Por essa razão, o Fed já aumentou os juros duas vezes este ano, de 4,75% para 5,25%.
"O aumento de juros e a perspectiva de aumento de juros esfriaram o mercado de ações e provavelmente levarão os consumidores a reduzir seus gastos", prevê Ray Stone, da firma de análise econômica Stone & McCarthy Reseach Associates. Agora, há três dados novos na equação, que podem ajudar ou não Greenspan a executar com êxito sua estratégia.
O primeiro é que a volta do crescimento no Japão e na ásia e a expansão mais vigorosa na Europa aumentam a competição por capital, que já vinha pressionando os juros mesmo antes de o Fed dar o primeiro aperto na política monetária, em junho. Outro é a desvalorização do dólar, principalmente em relação ao iene, que pressiona os preços das importações. O outro é a queda do montante de recursos disponíveis nas mãos dos investidores nos EUA para comprar ações na baixa e reverter a queda da bolsa.

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