São Paulo, 06 (AE) - A edição digital do Wall Street Journal (wsj.com) começa a ser rentável, depois de quatro anos de existência, segundo informações de dirigentes da companhia ao boletim europeu Aceprensa. Trata-se do primeiro jornal que consegue não ter perdas com sua versão para Internet. O WSJ resolveu cobrar dos leitores, opção que os demais jornais atualmente rejeitam.
O wsj.com tem 265 mil assinantes, que pagam US$ 59 por ano ou US$ 29, se também assinam a edição impressa do jornal. Dois de cada três não são assinantes do Journal de papel, que tem uma difusão média de 1,77 milhões de exemplares. Por contraste, o New York Times digital (nytimes.com), que conta com 7 milhões de usuários registrados, continua perdendo dinheiro. No início, o nytimes.com cobrava o acesso, mas no ano passado, deixou de fazê-lo e, agora, só exige que o leitor se inscreva. A diferença entre eles está no tipo de informação que oferecem e, em consequência, nos leitores que atraem.
A principal base do wsj.com é a informação econômico- financeira, como a do jornal impresso, mas atualizada continuamente. Além disso, a versão digital inclui um sistema de busca para obter dados sobre dez mil empresas: informações valiosas para os leitores cujo trabalho ou lucro dependem delas. De fato, 60% dos assinantes investem na Bolsa e possuem renda média anual de US$ 133 mil. São, portanto, um prato apetitoso para os anunciantes. Segundo Aceprensa, duzentas empresas de serviços financeiros e tecnológicos contratam diariamente a publicidade no wsj.com. Em troca, parece que, do leitor comum que visita um jornal na Internet, em busca de informação geral ou entretenimento, não cabe esperar benefícios.
O informe The Future of Printed Press. Challenges in a Digital World, publicado pelo Centro de Jornalismo Europeu há seis meses, destaca que o modelo de assinatura na Internet fracassou porque "existe conteúdo gratuito sobrando, como para convencer aos usuários que paguem por ele. Esta cultura da gratuidade é muito difícil de vencer, como indica um recente estudo francês sobre a imprensa eletrônica, realizado por Médiangles" (Le Monde, 16/3/99). Dos leitores franceses de jornais na Internet, 77% não lêem edições impressas. Contudo, isto não significa que não se vendam informações pela Internet, mas, sem dúvida, as que saem mais são, na maioria, provenientes de arquivos especializados. Médiangles ainda registra que os meios de comunicação digitais com mais assinantes são os econômicos, esportivos e pornográficos.
A imprensa digital que pode cobrar, conclui o estudo, é a que oferece "informação à medida de um determinado setor público (serviços para residentes no estrangeiro, revistas especializadas...)". A imprensa generalista, ao contrário, tem dificuldade de ganhar dinheiro com publicidade, que costuma ser a primeira fonte de financiamento dos meios digitais, mas não é suficiente para compensar o custo dos jornais de livre acesso.
Os anunciantes, segundo o Centro de Jornalismo Europeu, duvidam da publicidade rentável nos meios digitais generalistas. Médiangles, por exemplo, acha que só 2% dos usuários dão um "clic" sobre os anúncios que encontram nas capas dos jornais. Além disso, acrescenta o CJE, os anunciantes tendem a prescindir dos meios para colocar publicidade na Internet. Preferem os buscadores, como Yahoo, Netscape, etc, que realmente têm absorvido a maior parte das campanhas publicitárias na rede.

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