Pequim, 03 (AE-AP) - O presidente da Indonésia, Adurrahman Wahid, afirmou hoje (03) que autorizou o uso de "força de repressão" para impedir o movimento secessionista na província de Aceh, atitude que levou os líderes pró-independência a cancelar demonstrações anti-Jacarta.
O comentário de Wahid, feito durante uma entrevista coletiva em Pequim, onde realiza visita de Estado, foi seu compromisso público mais explícito sobre seu apoio a medidas repressivas por parte do Exército indonésio para manter a ordem em Aceh caso seja necessário.
Ao mesmo tempo, Wahid garantiu que manifestações pacíficas pela independência não deveriam ser tratadas com "força de repressão". "Usaremos de força caso sejamos desafiados", disse Wahid. "Se não houver violência, mas apenas uma expressão do desejo da população de Aceh, então está OK. Porque não?"
A principal força separatista de Aceh, o Movimento Aceh Livre
havia planejado uma grande manifestação para amanhã, para marcar a declaração de independência feita em Aceh há 23 anos e, consequentemente, a fundação do movimento independentista. Mas a preocupação de que a manifestação pudesse ser confundida com um ato de provocação levou os líderes rebeldes a pedir para as pessoas, através de emissoras de rádio e tevê, para que rezassem
no lugar de protestar.
Em Pequim, Wahid disse estar estudando a proposta do primeiro-ministro de Cingapura, Goh Chok Tong, de realizar uma reunião com os líderes do Movimento Aceh Livre, mas adiantou que tal encontro depende de condições. Segundo o presidente indonésio, a exigência dos separatistas para a declaração de um reino islâmico em Aceh "é inaceitável para mim".
Segundo grupos de direitos humanos, as forças de segurança da Indonésia, que exerceram nove anos de repressão em Aceh para conter o separatismo, são responsáveis pelas mais de 5 mil mortes ou desaparecimentos na província desde 1989.

mockup