Wahid apóia investigação de massacre de esquerdistas dos anos 6014/Mar, 13:26 Jacarta, 14 (AE-AP) - O presidente Abdurrahman Wahid disse hoje (14) que apoiaria uma investigação judicial sem precedentes sobre o massacre de centenas de milhares de supostos comunistas no final dos anos 60. "A tarefa do governo é dar prosseguimento às descobertas da investigação. Punir aqueles... que forem considerados culpados", afirmou Wahid numa entrevista à tevê estatal TVRI. Centenas de milhares de esquerdistas indonésios foram massacrados depois de um abortado golpe em 1965. A repressão foi conduzida pelo major-general Suharto, que mais tarde tomou a chefia do estado do então presidente Sukarno. O suposto golpe ocorreu em 30 de setembro de 1965, com o levante de um grupo de oficiais da Força Aérea. Vários destacados generais foram assassinados antes que Suharto - a quem os golpistas deixaram inexplicavelmente fora de uma lista de alvos - ordenou que suas tropas restaurassem a ordem. Como chefe das forças estratégicas do Exército, Suharto controlava um posto muito mais importante do que o da maioria dos generais assassinados. Partidários de Suharto no Exército afirmaram que a tentativa de golpe havia sido apoiada pelo Partido Comunista da Indonésia, então o terceiro maior do mundo, com cerca de 20 milhões de seguidores. O partido foi dizimado nos eventos seguintes, no que a Agência Central de Inteligência americana considerou ter sido "um dos piores assassinatos em massa do século 20". Estatísticas oficiais afirmam que entre 450 mil e 500 mil pessoas foram mortas na carnificina que seguiu-se ao levante. Estimados 600 mil suspeitos foram detidos sem acusação. Depois de tomar o poder, Suharto governou a Indonésia com mão-de- ferro por mais de três décadas antes de ser forçado a renunciar em maio de 1998 devido a protestos liderados por estudantes. Suharto está atualmente sendo investigado por suspeitas de que ele e seus filhos amealharam ilegalmente imensa fortuna durante seu governo. "Falando francamente, eu me desculpei há muito tempo pelos assassinatos daqueles supostos membros do Partido Comunista", disse Wahid. Ele lembrou que muitos dos mortos eram membros do Nahdlatul Ulama, a maior organização muçulmana do país, que era liderada pelo pai dele na década de 60. "Será muito bom se esse caso fosse aberto... porque muitas pessoas afirmaram que os comunistas eram culpados, mas muitos outros não acreditaram nisto. Desta forma, isto deveria ir para os tribunais", afirmou Wahid.

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