Wahid afasta Wiranto do governo
Jacarta, 14 (AE-AP) - O presidente da Indonésia, Abdurrahman Wahid, suspendeu hoje (14) de suas funções o poderoso chefe de segurança, general Wiranto. Wahid, que subiu ao poder com o apoio dos militares, ordenou que os procuradores do Estado determinem se o general Wiranto teve alguma responsabilidade na onda de violência que deixou centenas de mortos em Timor Leste depois do referendo que decidiu pela independência do antigo território.
"(Tomei essa decisão) para permitir o prosseguimento do processo de investigação", explicou Wahid. A determinação do presidente, aceita rapidamente por Wiranto, foi o último episódio de uma disputa de duas semanas entre os dois homens sobre a renúncia de Wiranto. A decisão de Wahid significa que o general ficará afastado temporariamente de suas funções enquanto ocorrerem as investigações.
Wahid estava realizando uma viagem a vários países quando uma comissão de direitos humanos de seu próprio governo apontou Wiranto como responsável pela violência que assolou o Timor Leste depois do referendo, realizado em 30 de agosto do ano passado.
Depois de seu retorno a Jacarta, Wahid manteve uma reunião com Wiranto. Na saída do encontro, o presidente chegou a afirmar que o general permaneceria no governo. Mas, no início da noite de domingo, Wahid - conhecido por suas mudanças repentinas de idéia - afirmou a jornalistas indonésios que Wiranto seria afastado do gabinete.
Hoje pela manhã, autoridades indonésias informaram que Wiranto seria substituído pelo ministro do Interior, Surjadi Surdirdja, nos cargos de ministro da Segurança e das Relações Políticas.
Mais tarde, durante a cerimônia de juramento de Surdirdja, Wahid insistiu que o afastamento iria permitir uma defesa ampla de Wiranto. "A decisão não tem a intenção de minar a posição do general Wiranto, mas apenas proteger o seu direito de se defender", disse o presidente.
No final da cerimônia, o chefe militar da Indonésia, almirante Widodo Adisutjipto, disse a jornalistas que as Forças Armadas permanecem leais a Wahid e que respeitarão sua decisão.
Wiranto, por sua parte, agradeceu ao presidente Wahid por este ter esperado até o seu retorno de uma viagem de 16 dias antes de tomar sua decisão e "por ele ter ouvido o meu lado".





