Curitiba - A Região Metropolitana de Curitiba (RMC) registrou queda de 26,7% em seu Índice de Vulnerabilidade Social (IVS) entre 2000 e 2010, segundo estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgado ontem. Baseado no Atlas de Desenvolvimento Humano, o levantamento considerou indicadores de infraestrutura urbana, capital humano e trabalho/renda de 16 dos principais aglomerados do País. Com IVS de 0,285 (quanto mais próximo a 1 maior é a taxa de exclusão), a RMC aparece com a terceira melhor colocação, atrás de Porto Alegre (0,270) e Vale do Rio Cuiabá (0,284). Se analisados isoladamente, os dados podem esconder problemas ainda visíveis em bairros e municípios mais periféricos, onde a oferta de serviços costuma ser menor.
A Grande Curitiba apresentou a diminuição mais expressiva na dimensão capital humano no período, de 0,402 para 0,266, o que corresponde a 33,8% - nenhuma localidade teve evolução inferior a 26%. Mas o maior progresso se deu em trabalho e renda - redução de 46,67%. "O período analisado coincide com uma etapa de crescimento e geração de empregos", resumiu o pesquisador Paulo Roberto Delgado, do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), que foi parceiro na análise. O número de pessoas que recebia até meio salário mínimo, por exemplo, caiu de 29,59% para 13,09%, graças, segundo ele, a programas de transferência de renda e à indexação das aposentadorias ao mínimo.
Outros indicadores destacados por Delgado na RMC são a taxa de desocupação de pessoas de 18 anos ou mais, que passou de 13,02% para 4,45%, e a da população com Ensino Fundamental incompleto que, em 2000, seguia na informalidade e caiu de 34,81% para 23,33%.
De forma geral, os menores progressos se deram em infraestrutura. Só no Norte, Nordeste e Centro-Oeste do Brasil houve variações superiores a 10%. A RM de São Luís, no Maranhão, que registrou a maior redução no quesito, de 24%, permaneceu com o IVS mais alto (0,527 em 2010). O índice é puxado por itens como acesso ao saneamento básico e tempo de deslocamento de casa para o trabalho.
O Ipea agregou as 16 Regiões Metropolitanas analisadas em 10 mil Unidades de Desenvolvimento Humano (UDHs). A partir deste recorte é possível observar distorções, sobretudo, do alcance de equipamentos e políticas ofertados à população. Entre todas as UDHs, 19% estavam nas faixas mais altas da vulnerabilidade social em 2010 – em 2000, eram quase 60%. Da mesma maneira, a proporção de unidades nas faixas mais baixas aumentou de 18% para 44% em dez anos. As UDHs podem englobar tanto cidades inteiras como bairros específicos. A divisão, conforme o Ipardes, possibilita que políticas públicas sejam mais bem pensadas e implementadas pelos governantes.

Imagem ilustrativa da imagem Vulnerabilidade social na RMC cai 26,7%
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