Votação sela destino de menina seqüestrada
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segunda-feira, 25 de outubro de 2004
Fábio Fleury<br>Agência Estado 
São Paulo- Quatro votos a dois. Esse foi o placar da votação que selou o destino de Emile Peres de Souza, a menina de 10 anos sequestrada no dia das eleições em Rio Grande da Serra, ABC. Os seis homens que estavam com Emile no cativeiro se reuniram e decidiram condená-la à morte. O motivo: ela conhecia todos os seus sequestradores. Detalhes do crime foram revelados hoje pela Polícia Civil, segundo a qual a menina sofreu abuso sexual e só recebeu comida uma vez nos quatro dias em que ficou em cativeiro.
O grupo tinha sequestrado Emile porque achou que seu pai, Nilson Gonçalves, filiado ao PL e candidato a vice-prefeito de Rio Grande da Serra, tinha dinheiro. Os criminosos decidiram fazer a votação no dia 6, véspera do assassinato, por sugestão de Fernando Salviano de Oliveira, de 26 anos. Depois da sentença de morte, decidiram quem cometeria o crime: Claudiomar Carvalho Alves, de 30 anos, foi o escolhido para esfaquear Emile; Luciano Cardoso, de 25, ficou encarregado de segurar a menina.
Naquela noite, os únicos que votaram contra o assassinato foram Rodrigo Monteiro Ferreira, de 25 anos, e o aposentado Mário Antônio de Godoy, de 76, amigo da família da menina. Apesar disso, nenhum dos dois fez nada para evitar o crime. O placar favorável à execução da vítima foi completado por Júlio César Souza da Silva, de 19 anos.
Depois do assassinato, Fernando e Luciano puseram o corpo da menina no Fusca usado no sequestro e o levaram até um matagal, local sugerido por Godoy para a desova. Na manhã do dia 7, o aposentado, alegando ter tido uma ''visão divina'', levou a polícia até onde estava Emile.


