Longe ainda de um consenso e sem clima político favorável, a votação das mudanças no Código Florestal foi adiada para o segundo semestre, provavelmente, no início de setembro. O assunto deveria entrar hoje na pauta da comissão mista criada para discutir o projeto de conversão à medida provisória que alterou o código. E, na próxima semana, precisaria ser apreciado no plenário do Senado, antes do início do recesso parlamentar para evitar que o governo reeditasse a medida provisória.
‘‘A votação do parecer do relator da MP 2.080/64 pelo plenário tornou-se difícil em função da agenda tumultuada do Congresso’’, explicou o presidente da comissão mista, senador Jonas Pinheiro (PFL-MT). Antes do dia 30, o Congresso terá de votar a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e o Plano Plurianual de Investimentos (PPA) para poder entrar em recesso.
Não haveria espaço na agenda para um assunto tão polêmico como a revisão do código, cuja discussão está polarizada entre ambientalistas e ruralistas. Para tentar buscar maior apoio ao projeto de conversão, a comissão mista já está discutindo novas alternativas para definir os índices de reserva legal e também incentivos para reflorestamentos que converterão madeira em lenha.
Com a crise energética, há na comissão mista quem acredite que a demanda por lenha por parte de agroindústrias situadas no interior do País deverá crescer.
O adiamento da votação do projeto de conversão foi aplaudido tanto pelo governo como por entidades ambientalistas que acompanham a discussão no Congresso. O ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho, já vinha defendendo o adiamento por três meses para que se pudesse chegar a um entendimento.
Para o coordenador político do Greenpeace, Flavio Montiel, a transferência da votação é ‘‘prova’’ de que o projeto de conversão rascunhado pelo relator, o deputado Moacir Micheletto (PMDB-PR), ainda é parcial.

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