A falta de visibilidade em consequência da chuva que atingiu o Aeroporto de Cumbica fez com que 28 aviões fossem desviados para outros aeroportos. Vinte e dois para o Rio, quatro para Campinas, um para Curitiba e um para Belo Horizonte.
Parte da cobertura do terminal de cargas desabou. Computadores molharam e contêineres tombaram. Por isso a Receita Federal previa atraso na liberação de cargas ontem.
Três automóveis de particulares, que estavam no estacionamento do aeroporto, sofreram danos. Dois aviões da United Airlines foram atingidos - um por um contêiner de carga, outro por um raio. Um dos aviões foi inspecionado e seguiu para Miami às 4h47. O outro continuava sob revisão técnica até o começo da noite de ontem.
Ontem pela manhã escavadeiras e caminhões com mangueiras, da Infraero, lavavam e retiravam lama de uma pista do acesso ao aeroporto, deixando o trânsito lento. Durante o temporal houve congestionamento. Preocupadas em não perder o vôo muitas pessoas abandonaram os veículos e foram a pé, carregando bagagens sob a chuva.
A desinformação e o improviso das empresas aéreas causaram revolta nos passageiros e nas pessoas que esperavam por eles. O atraso das aeronaves impediu vôos de conexão, atrapalhou compromissos e fez com que as pessoas passassem boa parte da noite nos saguões dos aeroportos.
‘‘Fiquei até as 3 horas esperando minha mulher e ninguém sabia informar nada’’, contou o economista Ivan Saes, de 42 anos. A notícia do atraso acabou sendo dada pela própria mulher, que o avisou por telefone celular do Rio, onde teve de passar a noite.
Seis vôos internacionais que partiriam de Guarulhos na noite de quinta-feira (dois para Nova York, um para Orlando, um para Miami, um para Atlanta e outro para Toronto) não haviam partido até o começo da noite de ontem. A média de atraso para embarque em vôos nacionais, ontem, era de duas horas.
Às 13 horas passageiros da Varig procedentes de cidades como Porto Alegre e Recife, e que haviam sido desviados para o Rio, estavam indignados. Haviam chegado às 6 horas e até aquela hora ainda não tinham recebido as bagagens. ‘‘Deixaram no Rio para mandar depois’’, indignava-se o empresário gaúcho Angelo Luigi Paties, que perdeu reuniões de negócios na cidade.
Maria José da Silva, de 38 anos, e seus três filhos saíram de Recife às 20 horas. A falta de condições de pouso levou a família para o Rio, de onde chegou a São Paulo às 2h50. Ontem, às 13 horas, todos esperavam pelas malas. ‘‘Há umas cinco horas disseram que em meia hora a bagagem chegaria’’, disse.
A angústia era compartilhada por quem esperava. O encarregado de obras Cícero Tavares da Silva, de 42 anos, ficou das 20 horas de quinta até as 9 horas de ontem esperando a mulher no saguão do aeroporto. ‘‘É difícil ficar nessa angústia.’’

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