Haifa, Israel, 17 (AE-AP) - Usando um boné de baseball sobre um solidél preto, Moshe Schreiber era um dos milhares de israelenses que chegaram no último minuto para votar nas eleições gerais de Israel.
"Há grandes questões sobre o futuro de Israel", explicou Schreiber, adiantando que tinha escolhido o candidato Benjamin Netanyahu para lidar com elas.
Para votar, o instrutor de informática de 53 anos viajou de West Orange, New Jersey, para seu bairro natal de Wadi Nisnas, na cidade portuária de Haifa.
Schreiber, que chegou com apenas uma maleta, nasceu em Israel
mas emigrou para os Estados Unidos em 1973, onde se casou e teve dois filhos. Esta é a primeira vez em nove anos que ele visita Haifa.
Assim como milhares de outros israelenses expatriados que vêm chegando nos últimos dois dias em vôos especialmente fretados, Schreiber viajou para Israel apenas para votar.
Alguns vôos, como o que transportava Schreiber, trouxeram simpatizantes de Netanyahu; outros, estavam lotados apenas com eleitores do candidato trabalhista Ehud Barak.
A maioria dos vôos veio dos Estados Unidos, mas também chegaram a Israel aviões vindos da Europa e de outras partes do mundo.
Os vôos especiais para a eleição custaram aos eleitores cerca de 195 dólares ida e volta - comparado com o preço normal de 800 dólares para a mesma viagem. A redução foi possível graças a doações de judeus ricos que moram no exterior.
Antes de depositar seu voto, Schreiber visitou a casa de sua antiga vizinha Eugenie Sabah, de 71 anos, uma árabe-israelense que reclamou muito sobre a dificuldade em se encontrar um emprego e a crise econômica sob o governo Netanyahu. Sabah declarou seu voto para Barak.
No posto de votação, Schreiber apresentou um título de eleitor israelense para o funcionário eleitoral, que analisou com cuidado a foto no documento.
Depois de um momento de dúvida em torno dos símbolos partidários, Schreiber depositou seus votos - um para Netanyahu e um outro para o Partido Nacional Religioso, que apóia a expansão das colônias judaicas na Cisjordânia.
Vindo de Roma em um vôo que aterrissou em Israel praticamente na mesma hora que o de Schreiber, uma mulher de meia-idade disse que as eleições eram "uma questão de vida ou morte". A mulher, que negou-se a dar seu nome, disse que ela votaria em Barak, que defende as conversações de paz com os palestinos.
Mais de 2.000 pessoas saíram de Nova York em direção a Israel para participar das eleições.

mockup