Curitiba- Cinco paranaenses estão entre os 254 brasileiros que chegaram ontem ao aeroporto de Confins, em Belo Horizonte (MG), depois de serem deportadas dos Estados Unidos (EUA) por entrarem de forma ilegal naquele país. Os brasileiros desembarcaram no início da tarde em um vôo fretado pelo governo americano e devem ir para os seus estados hoje. Entre os paranaenses estão Antonio Geraldo de Moraes Filho, Emerson Martins da Luz, Rubens da Silva de Castro, de Curitiba; Antonio de Oliveira e Nelson Niebielski, de Reserva (98 quilômetros ao norte de Ponta Grossa). Mais dois outros vôos, nos dias 15 e 29 de março, já estão agendados para trazer de volta ao País mais brasileiros presos nos EUA.
''Por mais difícil que seja a vida aqui, no nosso País a gente tem liberdade. Quero que agora ele continue aqui'', desabafou a mulher de Oliveira, Ecilde de Paula Oliveira. Ela conta que seu marido era motorista e decidiu tentar ir para os EUA porque já estava cansado de trabalhar e não conseguir ter um padrão de vida melhor. Oliveira e Niebielski saíram juntos do Brasil no dia 17 de outubro do ano passado com destino ao México e foram presos sete dias depois, quando tentavam atravessar a fronteira para os EUA a pé. ''Ele não assinou a deportação duas vezes porque ainda queria tentar ficar lá, mas acabou não dando certo'', contou Ecilda, por telefone, à Folha. Oliveira emprestou dinheiro para bancar a viagem.
Niebielski vendeu uma sorveteria para custear sua viagem aos EUA. Segundo a mulher dele, Odila de Carvalho Oliveira, ele tinha esperanças de conseguir uma salário mais digno lá. Por isso, também deixou de assinar por duas vezes sua deportação. ''Eu apoiei e incentivei a decisão dele. E se ele quiser ir de volta, para lá ou para outro país, eu apoio de volta. Aqui no Brasil não tem condição de viver dignamente'', argumenta.
Odila conta que muitas pessoas de Reserva foram e conseguiram entrar ilegalmente nos EUA. Ambas as mulheres afirmaram que seus maridos compraram os pacotes de viagem (com visto) para o México em uma agência em Ponta Grossa, mas se viraram sozinhos para atravessar a fronteira.
Os brasileiros que não usaram documentos falsos para sair do Brasil não vão ter problemas com a Justiça brasileira. Todos eles, depois de desembarcarem, prestaram depoimento à Polícia Federal (PF) de Minas Gerais, que está investigando quadrilhas que estão aliciando pessoas para trabalhar ilegalmente nos EUA.
Segundo o deputado federal João Magno (PT-MG), integrante da comissão externa do Congresso que acompanha a volta dos brasileiros, foi contabilizado cerca de mil brasileiros presos nos EUA que querem voltar.
Os brasileiros que chegaram ontem passaram a noite em um abrigo do governo do Estado de Minas Gerais. O primeiro grupo de brasileiros deportados, 277 pessoas, chegou ao Brasil no último dia 28 de janeiro.

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