Voluntários testam
novos medicamentos
Pelo menos 700 voluntários colocam em risco suas vidas nas principais pesquisas de novas drogas e tratamentos médicos desenvolvidas na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e PUC-Campinas (Pontifícia Universidade Católica). Os voluntários se submetem a novos tratamentos ou experimentam fármacos ainda não licenciados ou liberados só no Exterior.
As pesquisas com seres humanos feitas em hospitais universitários podem expor pacientes a riscos de efeitos colaterais fortes e até de vida. Tanto que, para ser voluntário, o paciente precisa assinar termo de consentimento espontâneo de que aceita esses perigos. As pesquisas são subordinadas às leis 196/96 e 251/97 do Ministério da Saúde.
A primeira normatiza todas as pesquisas com seres humanos. A segunda trata especificamente dos testes com fármacos, também com seres humanos. Os voluntários geralmente são indicados por médicos que detectam casos que se adequam aos critérios dos projetos.
As pesquisas buscam avanços no controle da Aids e de doenças cardíacas, além de tratamentos para enfermidades raras, como a Doença de Crohn e Retocolite Ulcerativa Específica, que são inflamações intestinais crônicas. Na pesquisa sobre Aids são 48 voluntários, enquanto que nos experimentos de cardiologia e hipertensão há pelo menos 150 voluntários, ambos na Unicamp. Na PUC há um total de 500 voluntários envolvidos em várias pesquisas.
A coordenadora do Comitê de Ética e Pesquisa em Seres Humanos da PUC-Campinas, Maria Luiza Cruz, 42, disse que há dez pesquisas com seres humanos em andamento no hospital universitário Celso Pierro, filiado ao SUS (Sistema Único de Saúde). ‘‘O importante é questionar se o paciente está sendo beneficiado pela ciência ou se a ciência está se beneficiando do paciente’’, disse. Segundo ela, o benefício ao paciente é prioritário.
Segundo o médico e coordenador do Grupo de Pesquisas em Aids da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), Rogério de Jesus Pedro, 52, para chegar ao estágio de aplicar pesquisas em seres humanos o projeto deve estar avançado e, se for o caso, já ter sido experimentado em cobaias. Para os pacientes não importa o tipo da pesquisa. Todos eles foram detectados na rede pública e para muitos a pesquisa é uma garantia de bom atendimento e acompanhamento médico constante.
Participar desses projetos significa a possibilidade de acesso a tratamentos mais eficientes e que demorariam para chegar ao mercado e à própria rede pública. Para a professora da PUC e doutoranda em psicologia da saúde Karina Carvalho Magalhães, os voluntários têm sempre esperança de cura e não se sentem ‘‘cobaias’’ porque sabem dos riscos.

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