Marcos BorgesAmor à causaA voluntária Lígia Rutkowski: pelo quintal dela já passaram mais de 300 animais doentes ou abandonados. Em sua maior parte, os cães e gatos ficam temporariamente no local, até que sejam ‘‘adotados’’ por novos donos Castrar cães e gatos cujos donos são pobres e não têm condições de cuidar de muitos animais é um dos mais novos projetos implantados pela Associação SOS Vida Animal. Desde o final do ano, quando teve início, até esta semana, já foram castrados mais de 400 animais. Frequentemente, voluntárias visitam os bairros mais pobres da periferia e explicam aos proprietários sobre a importância de conter o aumento da população canina e felina em Londrina.
Os veterinários voluntários de sete clínicas particulares (Cincão, Polivel, Panda, Cãosultório, Quatro Patas, Clinivet e Pio XII) cobram apenas os custos dos medicamentos. ‘‘Mas só 10% das cirurgias foram pagas pelos proprietários. As outras operações foram custeadas pelo SOS’’, conta Ana Maria Ana Maria D’Alexandre Mendonça, presidente do SOS Vida Animal.
A veterinária Maísa Lopes de Menezes explica que o grupo atende todos os casos solicitados pelo SOS Vida Animal e não apenas as cirurgias de castração: ‘‘Às vezes recebemos pessoas que não têm dinheiro nem para comprar o medicamento do animal. Aí nós acabamos doando.’’
Warren NabucoDescasoA presidente do SOS, Ana Maria Mendonça, denuncia: carroceiros se esquecem dos cuidados básicos com os cavalos. Raros são os donos que vacinam os animais contra o tétano, o que poderia evitar muito sofrimento
A verba para as cirurgias vem de promoções, comenta a presidente da associação. Recentemente, eles apelaram para a venda de pizzas. Agora, estão organizando um bingo para julho com a intenção de continuar o projeto. Ana Maria afirma que a realização do bingo só depende da arrecadação das prendas: ‘‘Nós estamos pedindo ajuda de toda a comunidade, para doação de prendas à nossa promoção.’’ A entidade também conta com a ajuda da população para conseguir medicamentos e rações.
A ação do SOS é voltada para a proteção dos animais de uma forma geral e visa evitar os maus-tratos, como o que ocorreu semana passada, em Londrina, quando uma égua agonizou por quase 48 horas, em praça pública, devido ao tétano. Ana Maria informa que, em apenas 15 dias, três cavalos morreram vítimas da doença. ‘‘Estes casos são mais frequentes do que a população imagina’’, comenta Ana Maria. Isso ocorre, salienta ela, devido ao descaso dos proprietários.
Na opinião dela, muitos carroceiros da Cidade são ‘‘acomodados’’, deixando de lado os cuidados básicos com os animais, como a vacina antitetânica, que custa R$ 2,50 a dose em uma loja de produtos veterinários de Londrina. Ana Maria lembra que só no primeiro ano é preciso dar duas doses da vacina. Depois disso, as aplicações são anuais. ‘‘Que carroceiro não tem R$ 2,50 para gastar todo ano com uma vacina?’’, questiona. ‘‘Eles gastam muito mais do que isso em pinga, cigarros e jogos.’’
A presidente do SOS Vida Animal alerta os carroceiros dizendo que não adianta aplicar a antitetânica quando o cavalo já está agonizando. Nesse caso é preciso correr para o veterinário; e o tratamento fica bem mais caro que os R$ 2,50 gasto com a vacina. ‘‘Há alguns anos o SOS Vida Animal gastou R$ 25,00 para tratar um cavalo com tétano. E agora o preço deve estar ainda mais alto’’, avisa.
O descaso com os animais não é geral entre os carroceiros de Londrina, destaca Ana Maria Mendonça. ‘‘Fico encantada com o tratamento que os carroceiros do ponto da rua Benjamin Constant dão aos cavalos. Fizeram um bebedouro e todos os animais estão gordos, bem cuidados’’, comenta. ‘‘Mas saindo para a periferia a gente vê muitos casos de maus-tratos aos animais, que são açoitados, carregam muito peso e recebem alimentação inadequada.’’
O SOS Vida Animal recebe diariamente várias denúncias de crueldade contra animais. Todas são checadas, garante a presidente da associação. Pelo menos uma vez por semana, Ana Maria e algumas voluntárias saem por vários bairros da Cidade atrás de denúncias.
A última denúncia foi contra um morador do jardim Pacaembu (zona norte), que tem um cão da raça siberian husk. O animal vive preso em espaço mínimo, sem cobertura adequada para proteger-se do sol ou da chuva e convivendo com fezes e urina. ‘‘Não encontrei o dono, mas falei com a filha e dei prazo até o final da semana para que o cachorro esteja melhor instalado. Caso contrário vou entrar na Justiça contra o proprietário’’.
Serviço: As doações ao SOS Vida Animal podem ser feitas pelo telefone 326-4589, com Ana Maria Mendonça, ou 337-0691, com Lígia de Oliveira Rutkowski.

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