Voluntários relatam solidariedade em Brumadinho
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segunda-feira, 04 de fevereiro de 2019
Érika Gonçalves <br> Reportagem Local 

Lama, dor e muita solidariedade. Em meio à tragédia sem precedentes de Brumadinho (MG), os socorristas do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) de Arapongas (Região Metropolitana de Londrina) se surpreenderam com a incrível capacidade humana de se ajudar, mesmo quando a casa está devastada e os parentes, desaparecidos. O enfermeiro Adriano Porfírio Piza, o condutor socorrista Rogério Pires Fernandes, ambos do Samu de Arapongas, e Victor Hugo Pereira da Cruz, técnico em enfermagem de Maringá (Noroeste) atuaram de forma voluntária entre os dias 27 e 31 de janeiro na busca de vítimas e resgate de corpos, seguindo o planejamento do centro de comando gerenciado pelos bombeiros de Minas Gerais e retornaram ao Paraná nesta sexta-feira (1º).
Todos foram escolhidos por terem o curso SAR (Search And Rescue, em tradução livre, Busca e Resgate), da Força Aérea Brasileira e o Curso Internacional de Busca e Resgate em Estruturas Colapsadas (BREC). Os voluntários integraram equipes mistas, compostas por bombeiros, bombeiros civis, especialistas em resgate em selva, assistentes sociais e veterinários. Todos os dias a equipe andava entre 20 e 25 quilômetros debaixo de sol forte e com equipamentos pesados, muitas vezes ficando longe dos pontos de apoio para acesso a água e alimentação.
"Ficamos cinco dias por questões físicas, a demanda é muito grande e além da caminhada precisamos revirar os escombros, desgasta muito fisicamente. Tem outras condições adversas, como animais peçonhentos, teve um bombeiro picado por abelhas que precisou ser encaminhado em estado grave para o hospital, tudo isso tornava o trabalho mais difícil", explica Piza. O risco de rompimento de uma segunda barragem também manteve todos em alerta constante.
Em meio à tragédia, muitas histórias de solidariedade. Pessoas que perderam casas e parentes ajudavam na busca de vítimas, conduziam equipes, preparavam alimentos e lavavam as roupas dos bombeiros. "Todos são muito gratos com as equipes. Já trabalhei em IML, estou mais acostumado a lidar com a morte, mas a lição de vida foi o que a própria população nos trouxe. O pouco que tinham eles nos davam, tentavam ajudar", conta Piza.
"No segundo dia de busca fomos para uma casa, um menino perdeu um tio, um primo e quatro amigos. Ele tinha tudo para estar desabado, perdeu casa, trabalho e ele só queria dar um enterro digno para o tio, mas dizia que mesmo, que não o encontrasse, iria ajudar a encontrar outras pessoas. Os moradores não ficaram em casa chorando, alguns sim, mas a grande maioria estava na rua ajudando", descreve Cruz.
Outro personagem marcante, segundo Fernandes, foi um idoso com vários problemas de saúde que, ao receber recomendação médica de ir para um local sossegado, foi ajudar nas buscas. "Ele tinha ido para a igreja e quando voltou, a casa estava destruída, mas ele dizia que estava tudo bem, que muito pior era a situação de quem estava debaixo da lama! Isso nos dava ânimo, pessoas com muita força."


