No Dia Mundial da Água, comemorado ontem, o prefeito de Londrina Nedson Micheleti (PT) e o secretário da Autarquia do Meio Ambiente (AMA) lançaram ontem o Serviço Ambiental Voluntário (Salvo). Criado com a finalidade de preservar, recuperar e promover, principalmente, a água, o programa vai convocar agentes ambientais voluntários para exercer funções cívicas, educacionais, científicas, recreativas e culturais ligados ao ambiente.
Utilizando a lei federal 9608 de 1998, que rege o voluntariado, a prefeitura vai treinar os agentes. ‘‘Até pouco tempo, muitos voluntários trabalhavam e depois recorriam à Justiça para receber pelo serviço. Amparados pela lei, o Salvo fica garantido’’, disse Cheida. Segundo ele, os agentes vão poder notificar os infratores do meio ambiente. ‘‘Serão os olhos e ouvidos da AMA’’, definiu.
Com apenas três agentes, disse Cheida, a AMA hoje não dá conta da fiscalização. Todas as pessoas que quiserem ser agentes ambientais podem se cadastrar. Para isso, basta ter carteira de identidade e passar por um curso que será ministrado pela AMA. As inscrições podem ser feitas na sede do órgão, no Parque Arthur Thomas. Ainda segundo Cheida, durante o lançamento do Salvo, 25 pessoas se alistaram no serviço.
O fundador da organização não-governamental (ONG) Patrulha das Águas, João Batista, entende ser necessária a participação da comunidade na preservação do ambiental. Batista responsabiliza a população pelo assoreamento do Lago Igapó, cartão-postal da cidade. ‘‘As pessoas não têm noção da extensão de um simples ato, como jogar uma ponta de cigarro na rua. O destino final desse lixo, fatalmente, será o Igapó’’, afirmou.
O assoreamento do Lago Igapó que, em muitos pontos acumula grande quantidade de lixo, poderia ser evitado se as pessoas não jogassem o lixo na rua, ou pela janela dos veículos.
O artigo 172 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB) estabelece multa de 80 Ufirs para quem atira resíduos de dentro de veículos. O infrator ainda perde quatro pontos na carteira. De acordo com a estatística da 2ª Companhia de Trânsito até hoje ninguém foi multado.
Batista entende que outros poluidores do Igapó, como a Sanepar e os resíduos industriais, têm condições de monitorar o esgoto e não colocar em risco o Igapó e o Ribeirão Cambezinho. ‘‘Essas empresas têm tecnologia para isso. Pode-se detectar perfeitamente os esgotos clandestinos’’.
João Batista afirma: ‘‘A Sanepar é a Petrobrás de Londrina. Está sempre vazando algum esgoto na direção do lago.’’ Ele disse também que está fotografando todos os pontos críticos do Igapó. As imagens, segundo ele, não é agradável. ‘‘O Igapó é uma grande lixeira encoberta de água’’, constatou Batista.
Ainda conforme Batista, a criação do Salvo, que vai atuar com voluntários, não isenta o poder público de responsabilidade. ‘‘A idéia não é substituir as ações dos órgãos públicos, mas complementá-las’’, analisou.
O gerente-metropolitano da Sanepar, Paulo Kishima, disse que todas as ações do órgão visa o meio ambiente. ‘‘Tratamos 100% dos esgotos. Nosso serviço é de primeiro mundo’’, garantiu. Kishima disse ainda alguns acidentes envolvendo a Sanepar são consequência de ‘‘atos criminosos’’. ‘‘Algumas pessoas acham mais fácil culpar a Sanepar’’, comenta.
A promotora do Meio Ambiente, Luciana Lepri Moreira, que também participou do lançamento do Salvo, aposta nas próximas gerações. ‘‘Provavelmente não veremos os problemas ambientais serem melhor administrados’’, avaliou.
Para Luciana Moreira, as ações de preservação só funcionam se forem tomadas em conjunto. ‘‘Não adianta o cidadão separar o lixo em casa se tudo for misturado no Lixão’’, disse Luciana Moreira.
A promotora tem mais uma preocupação. ‘‘Espero que o meio ambiente sobreviva até que os problemas sejam resolvidos.’’

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