O bóia-fria Davi Pereira chegou ao Distrito de Lerroville (Zona Sul de Londrina), com o pai e a mãe há mais de 30 anos, quando poucas casas existiam no lugar. A família foi morar em uma pequena casa de madeira, de 20 metros quadrados. O tempo passou, os pais de Davi faleceram, ele se casou e continuou morando na mesma casa, com a esposa Lurdes, que é dona-de-casa, e os filhos Claudinei e Claudecire, ambos estudantes do ensino médio.
No entanto, o trabalhador rural sempre teve um sonho: construir uma casa melhor. Mas, o dinheiro ganho com muito suor nas lavouras de café sempre foi suficiente apenas para garantir comida na panela e outras necessidades básicas. Ainda assim, Davi e Lurdes nunca deixaram de acreditar que o sonho, um dia, seria realidade.
E o dia chegou. O casal jamais se esquecerá de um sábado chuvoso, 20 de janeiro de 2006, quando ficou pronta a casa que eles ganharam de um grupo de ''voluntários da soliedariedade'', que surgiu, de forma surpreendente, há cinco meses, no distrito.
A nova residência da família Pereira é toda de alvenaria, com o piso de cerâmica e o banheiro azulejado até perto do teto. Foi construída no mesmo terreno de onde está a velha casa de madeira, que deve ser derrubada nos próximos dias.
Apresentando a nova moradia para a reportagem, a dona-de-casa ainda parecia não acreditar no que via. ''Meu Deus do céu, até parece que estou acordando de um sonho'', disse emocionada. O marido completou: ''Sempre tive muita vontade de construir a minha casa. Muitas vezes passei em frente a construções e parei para imaginar que logo chegaria a minha vez''.
Em tempos que a ganância humana toma conta dos noticiários, com os escândalos do mensalão, máfia dos sanguessugas e muitas outras tristes histórias de pessoas que só pensam em enriquecer, o caso dos voluntários de Lerroville chama a atenção.
A casa entregue para a família Pereira já é a segunda que o grupo entrega para famílias pobres do distrito. Tudo começou em agosto de 2006, quando o professor Acyr Plath resolveu construir uma casa para a aposentada Judith da Costa, de 84 anos, que morava em uma precária casa de madeira.
Lançada a idéia pelo professor, os voluntários começaram a aparecer. Pessoas simples, da própria comunidade, conseguiram as doações, arregaçaram as mangas e construíram um novo lar para dona Judith.
Dizem que a solidariedade faz mais bem para quem dá do que para quem recebe. Isso deve ser verdade, pois o grupo de voluntários gostou tanto da idéia que resolveu construir também uma casa para a família do bóia-fria Davi e para mais duas famílias do distrito.
E a atividade de ajudar quem precisa está sendo levada muito a sério. O professor Acyr registra todas as atividades do voluntariado, desde agosto de 2006, em um livro ata. Notas fiscais de materiais de construção, registro de doações, de dinheiro arrecadado com as rifas, tudo está no livro.
''Muita gente está nos ajudando, por isso estamos fazendo tudo com muita seriedade. Dessa forma vamos poder ajudar mais gente ainda'', explicou Plath. Segundo ele, o volume de doações está surpreendendo. ''Depois que a FOLHA DE LONDRINA esteve aqui noticiando a entrega da casa da dona Judith, muita gente colaborou'', disse agradecido.

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