Voluntariado pode medir desenvolvimento do país
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segunda-feira, 02 de julho de 2001
Agência Folha De São Paulo 
A Organização das Nações Unidas (ONU) quer incluir o trabalho voluntário da população na medida do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) dos países. O coordenador do programa da ONU de Voluntariado para América Latina, Caribe e Países Árabes, o economista brasileiro Douglas Evangelista, disse ontem, em São Paulo, que a entidade já trabalha com projetos experimentais de censo do voluntariado. Ele não divulgou onde, mas afirmou que o método, depois de aprovado, será apresentado aos países. E a idéia é contar esse fator no IDH.
O IDH mede a qualidade de vida e desenvolvimento do país combinando atualmente indicadores de analfabetismo, número médio de anos de estudo, renda per capita e expectativa de vida.
O Canadá lidera esse ranking, de acordo com relatório da ONU divulgado no ano passado, e o Brasil é o 74º colocado, na frente de Equador (91º) e Bolívia (114º), atrás de Argentina (35º) e Colômbia (68º).
Evangelista apresentou ontem a conferência Voluntariado e Desenvolvimento Social no segundo dia do 1º Congresso Brasileiro do Voluntariado, na PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo). O congresso termina amanhã.
O economista disse que, em parceria com universidades americanas e alemãs, as Nações Unidas estão pesquisando uma metodologia para aferir o trabalho e os resultados do voluntariado em um país. Hoje só temos estimativas.
Praticamente nenhum país sabe exatamente quantas entidades existem, quantas pessoas são voluntárias e como é o trabalho, disse o coordenador. Além da porcentagem da população voluntária, a ONU quer definir variáveis que meçam a eficiência dos projetos, as horas dedicadas, o turn over (nível de abandono do trabalho) e a movimentação no PIB (total da riqueza de um país).
De acordo com Evangelista, o voluntariado no Canadá movimenta 8% do PIB. Se essa porcentagem fosse atingida no Brasil, seria cerca de R$ 80 bilhões - dez orçamentos da cidade de São Paulo ou cinco anos de CPMF (o imposto do cheque).
Hoje em dia, a fixação do voluntário e a redução do turn over também são preocupações globais, declarou o economista. No Brasil, o índice de abandono estaria, segundo a pesquisadora da PUC Ana Maria Domeneghetti, em 56%, ou seja, em cada 100 voluntários que iniciam um trabalho apenas 44 permanecem.
Para estimular o desenvolvimento social a partir do voluntariado, a ONU vai submeter à votação dos delegados na Assembléia Geral, em 5 de dezembro, Dia do Voluntário, uma resolução que pede aos países ampliação do apoio aos voluntários e criação de incentivos legais e fiscais.
Ontem, em outro debate, representantes de católicos, judeus e adventistas discutiram a relação entre religiões e voluntariado. O chamado terceiro setor não vai substituir o Estado, que não pode se omitir de sua responsabilidade de garantir direitos básicos e acabar com a exclusão, foi um argumento repetido.
Pelo menos 100 mil jovens de todo o País devem receber capacitação no Serviço Civil Voluntário (SCV) até 2002. O trabalho, uma alternativa para adolescentes que não fizeram o serviço militar obrigatório, terá este ano R$ 16 milhões em recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), além de R$ 3,5 milhões do Plano Nacional de Segurança Pública. No ano passado, o SCV recebeu R$ 13 milhões de investimentos no total.


