Voltar ao Congo? É possível, mas para ajudar o país
Este é o segundo e, possivelmente, último ano que o professor fica na Universidade Estadual de Londrina. Escolado em concursos públicos e na complicada situação de ser docente temporário, Muleka se considera um bóia-fria científico. Desde 1989 tenta passar em concursos em algumas universidades, mas diz que as portas estão fechadas. Ora não passa, e questiona critérios subjetivos de avaliação, que nunca levam à revisão das notas, ora é contratado para uma vaga com tempo determinado.
A esperança do professor, nesse último ano de UEL, é a abertura de concurso público que ofereça vagas na sua área. Ele diz que encontrou, na faculdade de comunicação da UEL, colegas determinados a desenvolver ciência e alunos também decididos. Só questiona o valor dado à prática: É importante que se encontre um meio de conciliar teoria e prática.
Questionado sobre a possibilidade de voltar ao Congo, Muleka afirma, sem nenhum plano objetivo: Posso voltar a qualquer momento. Mas se eu voltar será para contribuir para o desenvolvimento do meu país. As reflexões sobre o país de origem estão sempre povoando a mente do professor. Não há como se manter neutro a respeito de um país que, mesmo depois de muitos anos, ele chama de seu. Mas, no Vivendas do Arvoredo a vida continua. Sem guerras, sem ditadores, sem conflitos tribais. Pelo menos, nada declarado. Os filhos saem para a escola. A mulher, depois do cafezinho, chega na sala e troca algumas palavras em francês. Já passa da hora do almoço, em um lugar bem distante de Mobutu, Kabila ou qualquer grande personagem do universo zairense, ou melhor, congolês.





