Volta para casa é retardada por causa da greve
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quinta-feira, 09 de dezembro de 1999
Por Gláucia Leal 
São Paulo, 09 (AE) - A volta para casa foi difícil hoje para as pessoas acostumadas a usar o metrô em São Paulo. "Precisei pegar duas conduções além das que eu já uso para vir de casa até meu local de trabalho e vou precisar de mais outras duas para voltar", comentou a varredora de rua Maria José de Souza Silva, de 47 anos.
Moradora do Jardim Fortaleza, em Guarulhos, Grande São Paulo, Maria José atrasou-se aproximadamente 40 minutos pela manhã. Ela calculava que só estaria em casa por volta das 19 horas - uma hora e meia mais tarde do que o habitual.
"Estou perdida no meio dessa greve, nem sei onde tomo o ônibus", disse a recepcionista Jessimara dos Santos, de 23 anos. Ela trabalha na região central e tentava, no fim da tarde, chegar até a Praça da República para voltar para casa.
Preocupados com a possibilidade de a greve continuar ainda por vários dias, alguns passageiros habituais do metrô prometiam, à tarde, apelar até para as forças divinas. "Vou acender uma vela para São José, que é o meu santo de fé, para que as coisas se resolvam no máximo até amanhã", disse o balconista José Eulando Pereira, de 23 anos. "Do jeito que as coisas andam complicadas, só rezando mesmo", observou Ronaldo da Silva Barbosa, de 22 anos, colega de Pereira.
Prejuízo - Para a vendedora ambulante Otília Clara, de 65 anos
há 19 trabalhando como vendedora de doces e refrigerantes ao lado da Estação Armênia do metrô, na zona norte, o dia foi de prejuízo. Nessa época do ano, ela costuma vender, em média, R$ 60,00 entre meio-dia e meia-noite. Mas hoje, com a paralisação do metrô, só tinha faturado R$ 6,00 até as 17h30. "Do jeito que está ruim não compensa ficar por aqui, acho que vou para casa mais cedo", disse, no fim da tarde.
A filha da ambulante, Izaira Mota Paixão, de 42 anos, não conseguiu condução para trabalhar hoje. Moradora de Diadema, na região do ABC, Izaira também vende guloseimas em um ponto próximo ao de sua mãe. "Se ela tivesse vindo, não teria como voltar", disse.
Taxista - Nem os taxistas, supostamente beneficiados pela greve, ficaram muito animados com a paralisação. "Hoje ninguém quer tomar táxi, porque o trânsito está pesado e as pessoas sabem que vão ficar paradas e pagar caro a corrida", disse Antônio Diógenes Piauí, de 62 anos, que faz ponto na Estação Corinthians Itaquera, na zona leste. "A paralisação não refresca nada para a gente, mas acho que cada categoria tem suas reivindicações e é preciso respeitar." (Colaborou Luciana Garbin)


