Volta de títulos de seis meses depende do mercado
PUBLICAÇÃO
domingo, 23 de maio de 1999
Por Nélia Marquez 
Brasília, 24 (AE) - O secretário do Tesouro Nacional, Eduardo Guimarães, disse hoje que o Tesouro voltará a vender papéis com prazo de resgate de seis meses, dependendo das condições de mercado. Segundo ele, não há nenhum compromisso do Tesouro em oferecer papéis de seis meses em todos os leilões.
A oferta do leilão programado para hoje será a mesma da última quinta-feira, ou seja, 1 bilhão de LTN de três meses e 2 bilhões de LFT. Naquele dia, no entanto, o Tesouro não vendeu os papéis prefixados, segundo o secretário, porque as propostas de remuneração encaminhadas pelos investidores não apresentaram "taxas razoáveis".
Guimarães assegurou, porém, que o fato de não ter vendido os prefixados no leilão passado não foi um recuo do governo em relação à decisão de alongar o perfil da dívida pública, usando cada vez mais esse tipo de papel. "Não vendemos porque não queríamos", disse ele.
Quanto ao título de 180 dias, o secretário disse que é um papel novo que está voltando ao mercado e ainda está em fase de testes. Esse papel não será lançado no leilão de hoje, segundo informou o secretário-adjunto do Tesouro, Fábio Barbosa, por uma questão de oportunidade.
O Tesouro optou por papéis de 90 dias por uma conveniência do ponto de vista de maturação dos títulos, segundo Barbosa. A diretriz, reafirmou, continua a mesma e espera-se que o leilão de hoje, ao contrário da última quinta-feira, seja bem sucedido.
Naquele dia, o mercado viveu momentos de forte nervosismo por causa de especulações relativas à possível mudança no câmbio, na Argentina. Caso ocorresse, na avaliação dos operadores, a economia brasileira sofreria impactos, principalmente na elevação do custo de captação externa.


