Volta da filosofia nas escolas gera polêmica
PUBLICAÇÃO
sábado, 22 de setembro de 2001
Leonardo Trevisan<br> Agência Estado<br> De São Paulo 
Há uma crônica reclamação entre nossos intelectuais de que falta tema para reavivar o chamado debate cultural. Na semana passada, o Senado ofereceu um, aliás, bem bom: por 40 votos a 20, aprovou a volta da filosofia e da sociologia entre as disciplinas obrigatórias do ensino médio. O projeto já foiprovado na Câmara e agora só dependerá de sanção presidencial.
O ministro da Educação, Paulo Renato Souza, já disse que a volta dessas disciplinas ao currículo é ''proposta antiquada'' e que pedirá o veto do Presidente, lembrando que a inclusão dessas matérias contraria a Lei de Diretrizes e Bases da Educação, promulgada em dezembro de 1996, que prevê o ensino como módulos de disciplinas, as chamadas áreas de conhecimento. Nessa interpretação, filosofia e sociologia já integram as Diretrizes Curriculares do Ensino Médio, não se justificando, portanto, sua inclusão como disciplina específica.
Pelas novas Diretrizes Curriculares do Ensino Médio, as áreas de conhecimento, por exemplo Linguagem e Códigos, Ciência e Tecnologia, Assuntos Sociais, que agrupam matérias afins, devem ter o máximo de flexibilidade curricular, para que o aluno aprenda a resolver problemas da vida real e não só ir na escola para dominar e difundir conteúdo enciclopédico. Nessa visão, o professor precisa ter a capacidade de transitar entre diferentes conteúdos, usando quando necessário, temas transversais a diferentes disciplinas, como ética, por exemplo, um tema de óbvio conteúdo filosófico. Por essa razão os técnicos do MEC repetem que filosofia e sociologia já estão contempladas no currículo e não há sentido de voltar a tratá-las como disciplinas específicas.
Essa perspectiva é combatida por quem acha que o conteúdo específico da filosofia e da sociologia deve ocupar espaço definido na grade curricular do ensino médio. O argumento essencial dessa linha de pensamento é que o processo de reflexão não ocorre por osmose e que o amadurecimento da personalidade inclui a apreensão de conteúdos filosóficos e sociológicos específicos, que evoluíram com o Homem, desde o pensamento pré-socrático.


