Volks vai reajustar salários em 10,5%
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segunda-feira, 18 de outubro de 1999
Por Cleide Silva 
São Paulo, 19 (AAE) - A Volkswagen vai conceder reajuste salarial de 10,5% aos cerca de 25 mil funcionários das fábricas de São Bernardo do Campo e Taubaté em 1º de novembro. Também comprometeu-se a pagar R$ 2.100,00 como participação nos resultados (PLR) no próximo ano, valor igual ao que está sendo pago neste ano.
O índice de reajuste corresponde à inflação acumulada nos últimos 12 meses pelo INPC, de 5,99%, acrescido de dois resíduos de negociações anteriores, de 1,25% e 2,98%. A soma dos percentuais é de 10,22%, mas a empresa aceitou arredondar o aumento para 10,5%.
A montadora está oferecendo ainda benefícios aos aposentados que queiram antecipar a saída da companhia. Acordo feito com o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC no ano passado prevê que 3.207 trabalhadores com mais de 45 anos de idade e três de aposentadoria sejam afastados até 2001.
A proposta, feita aos representantes dos trabalhadores em reunião que terminou por volta da meia-noite de segunda-feira
após 10 horas de discussões, será votada amanhã em assembléia em Taubaté e na quinta-feira em São Bernardo.
Segundo o diretor de Recursos Humanos da Volkswagen, Fernando Tadeu Perez, até dezembro vão deixar as duas fábricas 908 aposentados. Outros 970 sairiam no próximo ano e 1.329 em 2001. Desse total, 2.822 são da unidade do ABC. A empresa quer antecipar para janeiro a saída prevista para o próximo ano e para junho a do grupo que ficaria até 2001.
Para os que aceitarem, a Volks propõe o pagamento de 60% dos salários referentes aos meses que ainda faltam para completar o período. "É uma boa proposta para os trabalhadores e para nós, mas a saída antecipada não é uma imposição", disse Perez.
O aposentado que ainda teria 20 meses para trabalhar até a data prevista para o afastamento recebe o equivalente a 12 meses de salário e deixa a fábrica, exemplificou Clarindo Ferreira Prado, coordenador da Comissão de Fábrica da Volks de São Bernardo.
A montadora também concordou em reduzir a carga de trabalho para 40 horas semanais a partir de novembro. Na prática
entretanto, a jornada menor entrará em vigor em janeiro e as horas trabalhadas a mais até lá serão pagas, informou Prado, que acredita na aprovação da proposta nas assembléias de amanhã e depois.
Comissão de Fábrica, sindicatos e empresa estudarão alternativas de horários a serem instituídos em janeiro para compor a nova jornada de trabalho. Hoje, a semana de trabalho em São Bernardo e Taubaté é de quatro dias, carga que deve ser mantida pelo menos até o fim do primeiro semestre de 2000.
Segundo Prado, com a redução, os funcionários trabalham hoje 35,42 horas por semana e não as 42 previstas no contrato, e recebem em média 15% a menos. A partir de janeiro, se prevalecer a semana de quatro dias, eles vão trabalhar 33,42 horas, mas sem alteração nos salários atuais.
"A volta da semana de cinco dias vai depender do mercado", afirmou Perez. Neste fim de ano, entretanto, a Volks está convocando os operários para trabalhar seis sextas-feiras (duas em outubro, duas em novembro e duas em dezembro).
A Ford e a Scania já fecharam acordos com os trabalhadores e vão dar 10% de reajuste, mas parcelado em duas vezes. A Volks, por enquanto, é a única a oferecer o reajuste em parcela única.


