São Paulo, 17 (AE) - A Volkswagen pretendia retomar o trabalho nas próximas sextas-feiras para elevar a produção no último mês do acordo automotivo emergencial. Mas encontrou resistência dos dirigentes sindicais. A informação é do presidente da Volkswagen do Brasil, Herbert Demel. Ele projeta para outubro uma queda de 25% nas vendas de carros por conta do fim do acordo.
A suspensão do trabalho em três sextas-feiras por mês foi feita para adequar o ritmo de produção à queda das vendas. A idéia da Volkswagen, de retomar o trabalho às sextas-feiras este mês, visava elevar a produção na expectativa de a demanda aumentar enquanto o acordo emergencial não acaba. As montadoras também querem elevar estoques para poder manter os preços mais baixos no mercado durante alguns dias depois que o acordo terminar, implicando no aumento dos impostos.
Demel não acredita que o programa de renovação de frota - que está sendo esperado como mais um propulsor de mercado - possa ser criado até outubro, como esperam o governo e alguns executivos da indústria. O presidente da Volkswagen também reiterou não esperar volume adicional superior a 100 mil veículos nas vendas de veículos por conta do programa da frota. A indústria projetava aumentar as vendas em 400 mil unidades e recentemente o governo disse que no primeiro ano o volume adicional poderá ser de 250 mil.
Para Demel, a reivindicação dos metalúrgicos para igualar os salários nas montadoras em todas as regiões do País "não é razoável". "Todo o mundo pode reivindicar o que quiser", destacou. "Eu posso reivindicar não dar nada", completou. O presidente da Volkswagen não espera que o mercado aumente a ponto de impedir o enxugamento do quadro efetivo na montadora, que está em curso.
Acordo fechado entre a Volkswagen e o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC prevê o corte de mais 1.000 vagas até o início do ano na fábrica de São Bernardo do Campo por conta de programa de demissão voluntária e aposentadoria. A fábrica tem cerca de 16 mil funcionários. Demel está concluindo ainda o enxugamento físico das áreas de produção e administrativas da fábrica de São Bernardo que a reduzirá a um terço do que é hoje.

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