São Paulo, 22 (AE) - O mercado de veículos não reagiu e a Volkswagen já calcula ter algo entre 10 mil e 11 mil empregados excedentes nas suas fábricas de São Bernardo do Campo e Taubaté (SP), segundo o vice-presidente de Recursos Humanos da montadora, Fernando Tadeu Perez. Isso significa cerca de 40% do efetivo. "A Volkswagen não está de forma alguma ameaçando demitir, mas apenas constatando que, apesar de todos os esforços
as vendas não se recuperaram", disse.
A produção nas duas fábricas hoje é de 1,7 mil unidades por dia, pouco mais da metade da considerada normal para esta época do ano. Segundo o vice-presidente da Volks, o mercado para todas as marcas este ano não deverá ultrapassar a 1,2 milhão de unidades - 200 mil a menos do que a previsão do presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos (Anfavea), José Carlos Pinheiro Neto, que espera resultado próximo a 1,4 milhão de veículos vendidos. "Isso nos obrigará a buscar, cada vez mais, formas criativas de administrar nosso pessoal e conseguir evitar demissões", afirmou Perez.
Ele informou que o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC recusou há duas semanas proposta da empresa de suspensão temporária dos contratos de trabalho de parte desses funcionários (o chamado lay-off, autorizado por meio de medida provisória). A Volkswagen está impedida de demitir em razão do acordo de emergência do setor automobilístico - o governo concedeu redução de impostos até agosto, em troca da manutenção do nível de emprego até setembro.
Os 26 mil empregados das duas fábricas estão trabalhando apenas quatro dias por semana e tiveram salários reduzidos em 15% no início do ano. A redução de salários resultou de acordo da empresa com os dois sindicatos da Central Única dos Trabalhadores (CUT) para resolver a situação de perto de 7,5 mil excedentes na época. Contudo, segundo Perez, mesmo com a semana curta, de quatro dias, outros cerca de 3,5 mil estão ociosos hoje.

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