São Paulo, 16 (AE) - A Volkswagen voltou a falar em pessoal excedente. Desta vez, a montadora previu que terá 14% do efetivo de sua fábrica de São Bernardo do Campo (SP) ocioso a partir do mês que vem, caso o acordo de redução de impostos para veículos não seja renovado. Isso significa risco de desemprego para 2,8 mil funcionários, de um total de 19.500 apenas nessa unidade. Nas demais fábricas da marca - em Taubaté (SP), Resende (RJ) e São José dos Pinhais (PR) - ainda não há cálculo sobre a ociosidade esperada. A empresa não é a única a trabalhar com cálculos sobre excedentes.
Somente no ABC, as montadoras dizem ter 6,3 mil funcionários a mais do que precisam. Além da Volkswagen, a Mercedes-Benz já anunciou ter 1,2 mil funcionários além do necessário e a Scania outros 200. A General Motors mantém afastados cerca de 600. A Ford, quase 1,5 mil.
No caso da Volks, que no ano passado falou em 7 mil excedentes, está vigorando acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC de semana de trabalho de quatro dias e redução de 15% dos salários. O diretor de Recursos Humanos da empresa, Fernando Tadeu Perez, informou que essas providências não bastam, pois foram tomadas para enfrentar um mercado de 1,5 milhão de veículos este ano (400 mil a menos do que o de 1998).
Sem a renovação do acordo de redução de impostos, disse Perez, a projeção do mercado este ano cai para 1,2 milhão de veículos. Nessa última hipótese é que o número de funcionários excedentes chegará 2,8 mil, ainda que os salários continuem diminuídos e a montagem de veículos seja interrompida um dia útil por semana.
Preços - Apesar desse cenário pessimista, a Volkswagen, disse Perez, não poderá abrir mão de reajustar seus preços, para enfrentar aumento de custos com componentes e matérias primas importados e portanto cotados em dólar. As montadoras já reajustaram seus preços quatro vezes desde dezembro.
Segundo declarou ontem (15) em Brasília o vice-presidente para assuntos corporativos da Volswagen, Miguel Jorge, o aumento oscilaria entre 20% e 25%, caso o acordo não fosse renovado.
O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Luiz Marinho, discordou do cálculo sobre excedentes e afirmou ser contra o aumento de preços. "Sem renovação do acordo e com aumento de preços haverá uma catástrofe no mercado de veículos e no nível de emprego da cadeia automotiva", afirmou.
Segundo o sindicalista, o acordo de redução da semana de trabalho e de salários na Volkswagen é muito mais abrangente e poderia dar conta de uma nova crise, sem que houvesse necessidade de demissões.
Marinho disse que as montadoras terão de optar entre duas situações e desde já calcular os prejuízos de cada uma. A primeira é aumentar preços e ver o mercado despencar. A segunda é absorver eventuais prejuízos com aumentos de insumos para manter o mercado aquecido. Para o sindicalista, a última opção permitiria a renovação do acordo, pois significaria gesto de boa vontade nas negociações com o governo e ainda uma mostra de que o setor tem responsabilidade social.

mockup