Volks ameaça fechar fábrica em São Carlos
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segunda-feira, 20 de março de 2000
Por Cleide Silva 
São Paulo, 20 (AE) - A Volkswagen anunciou hoje a suspensão de um investimento de R$ 1 milhão previsto para este ano na fábrica de motores em São Carlos, interior de São Paulo, e ameaça fechar a unidade. A medida é uma represália à resistência dos trabalhadores em aceitar um programa de banco de horas. Eles também reivindicam condições salariais iguais aos dos funcionários de São Bernardo do Campo.
O vice-presidente de Recursos Humanos da Volkswagen, Fernando Tadeu Perez, também anunciou hoje a demissão de cerca de 15 a 20 funcionários que seriam responsáveis por uma "operação tartaruga" (produção em ritmo lento), iniciada na quarta-feira. "Deixamos de produzir 870 motores", disse.
Nenhum representante do Sindicato dos Metalúrgicos de São Carlos, filiado à Social Democracia Sindical (SDS), nem da comissão de fábrica foi localizado hoje para comentar o assunto. No sindicato, a informação era de que o expediente havia se encerrado às 17 horas.
A fábrica de São Carlos, inaugurada há três anos, tem 459 funcionários e produz motores para as unidades de São Bernardo e Taubaté (SP) e São José dos Pinhais (PR). O local foi escolhido, inicialmente, porque os custos de produção são inferiores aos da fábrica Anchieta, na região do ABC. "Mas se os funcionários continuarem com reivindicações esdrúxulas podemos transferir tudo para São Bernardo, onde temos espaço de sobra", ameaçou Perez.
Ele esteve reunido hoje com os trabalhadores de São Carlos que reivindicam salários médios de R$ 1.200 e Participação nos Lucros e Resultados (PLR) de R$ 2.100, iguais aos pagos ao pessoal do ABC. Segundo Perez, a média salarial local é de R$ 600 e o PLR acertado é de R$ 1.200. "Não vamos alterar esses valores", garantiu.
O executivo informou que a montadora está disposta apenas a alterar o programa de banco de horas, que foi recusado no ano passado.
GM - A General Motors ampliou hoje de 44,5 horas para 46 horas a carga semanal dos cerca de 7 mil trabalhadores da produção em São Caetano do Sul. O motivo, segundo a empresa, é o aumento das vendas internas e das exportações. É a primeira, vez
desde 1995, que a montadora opera com o período máximo previsto no banco de horas.


