Volatilidade das bolsas pode reduzir fluxo para o Brasil Do correspondente João Caminoto
Londres, 19 (AE) - A volatilidade nas bolsas de valores pode causar uma leve redução no fluxo de capitais de curto prazo para o Brasil, mas isso não é ainda um fator de preocupação, disse à Agência Estado o analista-chefe para a América Latina da Economist Intelligence Unit (EIU), John Bowler. "O que vemos hoje é que as principais bolsas latino-americanas têm uma forte correlação com o Nasdaq, principalmente por causa do peso das empresas de telecomunicações, comunicações e Internet. E como eu ainda não consigo ver uma situação no curto prazo na qual o Nasdaq se estabilize, logicamente as bolsas latino-americanas continuarão a ser afetadas", disse Bowler. "Mas por enquanto não presenciamos um situação drástica. Os investidores nos Estados Unidos, por exemplo, estão apenas mais cautelosos, migrando nas últimas semanas para ações mais tradicionais."
Segundo Bowler, essa volatilidade prejudica os títulos de países como Brasil, Argentina e México. "No início do ano vimos uma série de emissões mas nas últimas semanas elas pararam. Os spreads aumentaram e nenhum país, a menos que precise captar recursos com urgência, vai lançar títulos por um preço alto, nas atuais circunstâncias." Bowler disse que as perspectivas da economia brasileira são "positivas" e que a meta oficial de crescimento do PIB para este ano, que é de 4%, deve ser alcançada. "O país vêm aumentando as suas exportações de produtos manufaturados, ajudado pelo aquecimento da demanda mundial. A inflação, apesar da preocupação de um repique no final do ano passado, está apresentando uma boa performance. O desempenho da balança comercial, no entanto, poderia ser melhor. A partir de abril a balança começará a apresentar um superávit, mas ainda insuficiente para as necessidades do país."
O analista da EIU não está convencido de que o real sofrerá uma pequeno enfraquecimento diante do dólar até o final do ano. "Nesse momento, não vejo motivos para isso, acredito que teremos no final deste ano o real na faixa entre 1,75 e 1,80 diante do dólar."





