Não tem jeito: quanto ''pisam'' no seu ''calo'' lá vem ela, poderosa. A raiva é sentimento que desconhece idade, classe social ou profissional. Atire a primeira pedra quem nunca sentiu raiva por alguém ou por uma situação, e outra quem nunca teve que reprimi-la. Mas, a raiva, segundo a psicóloga Adelaide Rotter, especialista em biossíntese, é sentimento importantíssimo e pode ser construtiva. Por isso, cuidado ao não expressá-la: ela pode se virar contra você na forma de doenças.

''A raiva é uma emoção para a gente se defender de um perigo real, ela te arma, dá tônus, força, vigor, e isso é bom'', ressalta a psicóloga. O sentimento, junto com o prazer e a ansiedade, compõe as três emoções humanas básicas, segundo conceitos da psicoterapia somática, de Wilhelm Reich.

Sentimos raiva, segundo Adelaide, em duas situações: quando a gente é invadido ou quando é privado de algo. Situações em que se é injustiçado, ofendido ou maltratado, por exemplo, fazem aflorar a raiva porque de alguma maneira alguém atravessou nosso limite vital de espaço ou nos privou de algo, e a emoção serve para possamos afastar o que incomoda ou nos defender. ''Uma criança que está com fome, e, por qualquer circunstância o leite não vem, se 'esgoela' de chorar. Ela está com raiva, e é isso que a faz ter força para lutar para sua necessidade ser satisfeita'', diz.

Uma forte descarga de adrenalina, o coração batendo acelerado, uma urgência para colocá-la para fora e um 'quase descontrole' caracterizam essa emoção. Mas, se não é possível extravasar, o 'veneno' se volta contra você. ''Depois de um grande episódio de raiva é possível notar uma angústia, uma opressão no peito, dores pelo corpo e de cabeça'', afirma.

Se a raiva não é vivenciada, aponta Adelaide, ela fica presa no corpo, e pode resultar em dores no estômago, intestino preso e depressão. ''Embaixo de qualquer dor ou tensão há uma emoção ou energia parada, que precisa vir à consciência e ser expressa para que se entre novamente em equilíbrio. Se a energia da raiva fica represada, e vai se acumulando, chega um ponto em que a pessoa pode ficar profundamente depressiva, que na visão energética é a 'raiva do avesso'', ressalta a psicóloga.

Quando há oportunidade de ''gastar'' a raiva, ressalta Adelaide, os bons sentimentos retornam. Mas, isso não quer dizer ''pular no pescoço de alguém''. Alguns exercícios como torcer uma toalha, bater com raquete, socar ou chutar uma almofada (veja quadro) e até gritar podem ajudar muito a aliviar a emoção. A prática de atividades físicas, como correr, dançar e lutar, também ajudam a liberar serotonina e acalmar o organismo.

Importante também é diferenciar a raiva da fúria e da ira. Na primeira, explica a psicóloga, ainda há controle do que se faz ou fala, ''ainda há controle do ego''. Quando se atravessa esse limite, vem a fúria, e aí o desastre é iminente. ''Quando a pessoa perde o controle do ego pode fazer coisas das quais poderá se arrepender o resto da vida e pagar o preço por isso'', alerta.

É aí que entra o autoconhecimento, fundamental para evitar crises de ira e fúria, e descobrir o que há por trás daquela raiva que se manifesta sempre da mesma maneira. Uma das formas de buscar esse autoconhecimento é com a psicoterapia. ''O grande 'lance' é se conhecer. Se a pessoa sempre arruma encrenca no trabalho, está sempre na defensiva e 'armada', é bom procurar ajuda''.

Serviço: Adelaide Rotter - (43) 3321-1194


COLOQUE A RAIVA PARA FORA

- Use almofadas ou saco de boxe para bater ou chutar e não tenha medo de imaginar o rosto de quem você sente raiva
-Se preferir, use uma raquete para bater na almofada
- Torça fortemente uma toalha
- Grite
- Pratique regularmente uma atividade física
- Busque o autoconhecimento através da psicoterapia

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