'Você se acostuma com a dor', diz paciente
Não ter força para poder trabalhar e realizar tarefas simples, como levantar uma folha de papel, escovar o cabelo ou carregar sacolas estas são consequências graves, mas cada vez mais comuns em vítimas de LER/Dort. Caso dos dentistas Nádia Regina de Mello Aranda, 40 anos, e Douglas D'Artagnan Torres Amorim, 37, ambos de Londrina.
Profissional há 15 anos, Amorim está em licença médica desde março de 2003, quando fez uma cirurgia para corrigir uma doença chamada Síndrome do Desfiladeiro Toráxico, que causa uma compressão na região dos ombros e prejudica o fluxo do sangue nos braços. Desde então passa por sessões semanais de fisioterapia e RPG (Reeducação Postural Global), e já conseguiu progressos: ''Já tenho força para levantar isso'', diz, segurando uma folha de papel, e completa: ''Na fase mais difícil não conseguia nem dirigir''.
Nádia, funcionária pública da prefeitura de Cambé e com um consultório, também está em licença médica desde 2003. De braços cruzados no local onde atendia dezenas de clientes ela confessa: ''O que eu mais quero é voltar a trabalhar''.
Quando a doença obrigou Nádia a parar, seu ritmo de trabalho era intenso começava às 8 horas e só parava 12 horas depois. ''Nessa época eu estava no auge da profissão. Não parava nem para almoçar, comia alguma coisa no carro mesmo, no caminho entre o consultório e o posto de saúde. E com isso você acaba também tendo uma vida sedentária'', conta.
O primeiro sintoma, segundo ela, foi uma dor no cotovelo no início de 2002. ''Um peso no cotovelo me incomodava e aí comecei a procurar médicos, mas ninguém definia um diagnóstico. No final do ano, eu tinha dores no braço e foi diagnosticado Síndrome do Desfiladeiro Toráxico'', relata.
Já Amorim pensou que ''estava ficando velho'', quando os primeiros sintomas apareceram formigamento nas mãos e dores nos braços e antebraços. Além da doença, Amorim também enfrentou o preconceito: ''Como não é fisicamente aparente, as pessoas pensam que você está mentindo''.
Hoje, depois de centenas de sessões de fisioterapia e de RPG, tanto Nádia, quanto Amorim, já apresentam melhoras, mas ainda não tem previsão de quando vão poder voltar a trabalhar. ''Tenho esperança. Quero voltar a trabalhar'', conclui Amorim.(C.P.)





