Vizinhos têm várias alternativas
As várias alternativas de lazer defendidas para ocupar o espaço do aeroporto de Maringá depois da mudança, como um centro cívico, um aeroparque e agora um autódromo, estão deixando os moradores da região confusos, desconfiados e divididos. Para o agricultor Antônio Martins Filho, vizinho do aeroporto há 28 anos, qualquer idéia seria boa porque poderia movimentar o local e aumentar as alternativas de diversão. ‘‘Sou a favor do autódromo. Não acho que vá atrapalhar o sossego da gente. Pelo contrário, vai valorizar a área e chamar a atenção para a cidade’’, acredita.
Ele acha que todos vão lucrar com a iniciativa. ‘‘Se for bem feito, pode trazer renda para a cidade com o turismo. Se tiver oportunidade, vou ver as corridas e me divertir um pouco’’, comenta. Quem também tem esperanças e projetos com a construção do autódromo é o vendedor de cachorro-quente José Augusto Gomes, que tem sua barraca em frente ao aeroporto. Ele vende cerca de 50 lanches por dia e acha que o comércio pode até dobrar com a novidade. ‘‘Vai ser bom e não vai atrapalhar ninguém’’.
Mas há quem aposte o contrário. O policial federal Jorge Kusakariba afirma que o aeroporto já é um local barulhento e, com o autódromo, a pertubação pode aumentar. ‘‘Além das corridas, provavelmente também haverá os treinos. Escolhi este bairro pela tranquilidade e isso pode acabar com a minha preferência pela área. Afinal, todo mundo quer sossego nos finais de semana. Eu apóio a construção de um centro cívico’’.
A dona-de-casa Maria Cecília Santiago, que há 10 anos mora em frente ao aeroporto, acha que a mudança vai ‘‘virar bagunça’’ e acabar com o bairro. ‘‘Sou contra o projeto. Eu moro aqui de aluguel, mas se a casa fosse minha, não iria gostar nem um pouco da idéia. Se, com a rodoviária aqui perto já ficou ruim, imagine um autódromo’’.
Para o presidente da associação dos bairros Bertioga-Aeroporto, Adelino Hass, a idéia é ótima, desde que a pista não seja utilizada para ‘‘rachas’’. ‘‘Se tiver fiscalização, não há problemas, será uma nova área de lazer’’, opina. ‘‘O autódromo pode trazer desenvolvimento para a região, mas somente se for oficial, pela metade, nem adianta fazer’’. Hass acha que ainda falta comunicação com a população.
‘‘A opinião dos moradores deve ser respeitada. Eles têm que ser ouvidos porque serão os principais atingidos’’. O autor do projeto, John Alves Corrêa, afirmou que pretende promover um amplo debate com os moradores, assim que o autódromo for aprovado pela prefeitura. ‘‘Isso ainda deve ser bastante discutido. Estamos só no começo’’, observa. (A.C.S.)

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