As estradas do País passaram a receber nos últimos anos um grande número de trailers, veículos pouco comuns nas rodovias brasileiras. Apesar desse pouco conhecimento sobre esses carros adaptados que podem manter o conforto de uma casa em seu interior, diversos grupos e associações geralmente formados por amigos estão sendo criados.
No município gaúcho de Itapeva (próximo a Torres, no litoral do Rio Grande do Sul) aconteceu um encontro regional até ontem, reunindo diversos aficcionados, que hoje circulam em aproximadamente dois mil veículos pelo País.
Nas regiões Sul e Sudeste existem pelo menos sete grandes grupos em que se destacam o Rancho Móvel (RS), Roda Mundo (SC), Pé na Estrada (SP), Toca da Raposa (ES), Vagamundo (MG) e Jabuti (SP).
‘‘Em diversas ocasiões realizamos encontros com outros grupos. Isso é importante para mantermos sempre um bom contato entre nós e geralmente nesses encontros combinamos novas viagens’’, diz o publicitário Orestes Woestehoff, 52 anos e um dos coordenadores do Grupo dos Estradeiros, formado por cerca de 150 paranaenses.
Orestes explica que cada um dos grupos tem calendários de atividades, geralmente com um encontro mensal que pode ser em um camping, desde que com energia elétrica, água e esgoto. Somente neste semestre os Estradeiros viajaram a Santa Catarina, São Paulo e Rio Grande do Sul. Um dos maiores encontros reuniu 128 trailers de todo o País e aconteceu em Blumenau, no interior catarinense.
Para este mês, além do encontro que aconteceu em Itapeva, estão previstas reuniões na Enseada (SC) e durante a Munchenfest, festa do chopp escuro que acontece de 24 a 26 de novembro em Ponta Grossa (100 quilômetros de Curitiba), Região dos Campos Gerais.
Para se adquirir um motorhome ou um trailer, o interessado deve ter pelo menos R$ 14 mil para comprar uma Kombi Safári, considerada um dos modelos mais baratos. ‘‘Existem modelos mais confortáveis, porém são mais caros e as pessoas também têm a opção de adaptarem seus veículos e os transformarem em trailers’’, diz Carlos Kasprizin, que atua junto à organização do grupo.
Ele diz que há muito investimento neste tipo de vida. ‘‘Todas as coisas são adaptadas e com o crescimento do número de trailers muitas empresas de marcenaria ou materiais resistentes estão investindo nesse tipo de trabalho’’, informa. Os detritos e resíduos de sujeira são depositados em tanques especiais que depois são esvaziados em locais apropriados.
O Grupo dos Estradeiros, formado há dez anos, tem na maioria de seus associados moradores da Região Metropolitana de Curitiba, além de outros municípios do interior.

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