Viver bem com a própria digestão
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domingo, 08 de julho de 2007
Chiara Papali<br> Reportagem Local 
''Hoje estou tão atarefado, 'correndo' tanto, que não vou nem almoçar: mais tarde vou fazer um lanche''. Em uma só frase, e atitude, ficam evidentes três grandes prejuízos para o aparelho digestivo. O alerta é do gastroenterologista Eduardo Berger, do hospital Professor Edmundo Vasconcelos, de São Paulo.
O médico chama a atenção para o estresse, para o prolongamento do período de jejum, e para a provável ingestão de alguma ''porcaria'' no lanche, para aplacar a fome. Segundo o especialista, estresse, jejum prolongado e dieta inadequada são as principais causas das perturbações digestivas.
O estresse ''faz aumentar secreções e provoca espasmos viscerais''. O jejum prolongado ''deixa as mucosas à mercê dos sucos digestivos''. E por fim, uma dieta inadequada, com alta ingestão de alimentos irritantes, como álcool e café, e de alimentos doces e ricos em óleos e gorduras, irritam mucosas e atrasam a digestão. ''Esses alimentos retardam o esvaziamento do estômago e obrigam secreção mais abundante de sucos digestivos'', avalia.
Berger defende que viver bem é viver bem com a própria digestão, tema de palestra que ministrou na última semana em São Paulo. A digestão, segundo ele, é um processo complexo, ''que, em termos populares, começa 'à mesa e se encerra no banheiro''.
Uma vez levado à boca, o alimento percorre um longo caminho - faringe, esôfago, estômago, intestino delgado e cólons (intestino grosso), que compõe o tubo digestivo. ''Neste percurso o bolo alimentar será submetido a fenômenos físicos, como a mastigação, além do processamento e misturas múltiplas no interior das vísceras, e fenômenos químicos, com a atuação das enzimas dos sucos gástrico e intestinal e das secreções das glândulas anexas, saliva, bile, suco pancreático'', explica.
Berger ressalta que o ser humano, pela variedade da dieta, é o que tem a digestão mais complexa, ''e poderá ter piora em sua qualidade de vida se algum ponto do sistema funcionar mal ou apresentar lesão''. ''Tal qual um 'trânsito', a progressão do bolo alimentar deve ser harmônica, sem 'congestionamentos' nem 'grandes acelerações', e o volume dos sucos secretados deve ser adequado em quantidade - nem muito, nem pouco'', explica.
Viver bem com a própria digestão é então comer bem, com critérios saudáveis e baseados na pirâmide alimentar, ter um período adequado entre as refeições (de três a quatro horas), ter esvaziamento gástrico adequado e evacuações diárias. ''De maneira geral, os distúrbios funcionais podem ser minimizados com cuidados comportamentais e dietéticos'', avalia.


