VIVER BEM - RECEITAS DE SAÚDE
PUBLICAÇÃO
domingo, 04 de julho de 2010
Fernanda Borges<br>Reportagem Local 
Final do ano de 2007 e o médico oftalmologista Danilo Malucelli estava prestes a tirar férias no litoral catarinense quando a viagem foi interrompida. Hoje ele sabe que não ter viajado naquela ocasião foi a melhor forma de ganhar a vida. ''Lá eu ia ter um infarto fulminante e ia morrer'', afirma.
Até os últimos dias daquele ano, Malucelli levava uma vida considerada ''normal''. Trabalhava bastante, descansava pouco e não reservava tempo para atividades que pudessem lhe dar prazer. Apesar de não ter nenhuma doença, era doente. O ritmo de vida acelerado não dava espaço nem disposição para cuidados com o corpo e a mente. Foi preciso um sinal mais forte para o profissional da saúde procurar ajuda.
''Já fazia um tempo que eu andava me sentindo fadigado, cansado demais. Era extremamente estressado, atabalhoado. Então, uma noite na véspera das férias senti uma dor localizada na região posterior do braço'', lembra. O médico foi para o hospital, foram feitos exames e a transferência para o Hospital do Coração. ''Em oito dias, fizeram oito pontes de safena. As obstruções eram em torno de 98% e eu só não infartei por Deus'', reconhece.
Hoje, Malucelli sabe que o que quase o matou foi sua própria indisciplina e falta de cuidado pessoal. Além de obeso, por manter uma alimentação baseada em frituras e muita carne vermelha, o médico admite que sedentarismo sempre fez parte de sua rotina. Consciente de que precisava salvar sua vida, assim que deixou o hospital resolveu mudar tudo: optou por viver de verdade.
Comprar uma chácara, mesmo com o orçamento apertado, foi um dos primeiros investimentos feitos pelo médico, que também contratou mais uma secretária para distribuir as tarefas da clínica e não se sobrecarregar no trabalho. ''Hoje eu dedico mais do meu tempo para mim. Vou para minha chácara, planto horta, colho frutas no pomar, descanso todo fim de semana. Duas vezes por semana vou para academia e nos outros, faço caminhadas. Me preparei para isso. Hoje sou um cara muito mais saudável e feliz'', diz.
Com 54 anos de idade, hoje Malucelli não toma mais nenhum remédio para pressão arterial, diferentemente de quando tinha 40 anos e tomava pelo menos três medicamentos. ''Meu cardiologista está extremamente satisfeito com meus exames e eu me sinto outra pessoa, tenho mais vitalidade'', comemora.
Pessoas com o perfil de Malucelli, antes da mudança, têm lotado consultórios médicos apostando em medicamentos ou ''soluções mágicas'' para melhorar a saúde e, consequentemente, suas vidas. Para o médico ortopedista, especialista em medicina esportiva e do trabalho, Áureo Shizuto Cinagawa, a vida é movimento, mas o ser humano de hoje tem se esquecido disso. ''Somos como animais presos em gaiolas que são nossos carros, escritórios. Se por um lado a era da informática nos proporciona facilidades, nos faz também vítimas da imobilidade. As pessoas já não se movimentam como nossos antepassados, que faziam grandes jornadas, eram mais magros, ágeis. Não conhecemos nosso corpo e deixamos muitas respostas para os médicos. O ideal é conhecer-se, saber utilizar suas capacidades intrínsecas'', ensina o especialista.
''O ideal é conhecer-se e saber utilizar as capacidades intrínsecas''


