Vivemos a revolução do amor, acredita filósofo francês
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quinta-feira, 20 de maio de 2010
Marcela Rocha Mendes<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Um dos pensadores mais polêmicos da atualidade, Luc Ferry - filósofo e ex-ministro da Educação da França - acredita que estamos vivendo uma revolução diferente de qualquer outra dos últimos dois mil anos: a revolução do amor. E isso, diz ele, traz mudanças fundamentais na estrutura das famílias e até na política que, pela primeira vez na história, não está a serviço de Deus, do império, da nação ou da revolução, mas, sim, a serviço das pessoas.
Segundo Ferry, a humanidade sempre encontrou o sentido da vida naquilo que considerava sagrado. ''Nossos ancestrais morreram em guerras religiosas, nacionalistas - como a 1 e a 2 Guerras Mundiais - ou revolucionárias - como os 60 milhões de mortos pelo maoísmo. Essas figuras do sagrado foram liquidadas. Mas hoje todos nós arriscaríamos nossa vida pelas pessoas que amamos''.
O filósofo afirma que hoje os casais passaram a se unir por amor. ''A direita se lamenta dos tempos em que ninguém se divorciava, mas naquela época a mulher sacrificava sua vida profissional e pessoal. Se hoje há muitos divórcios, é porque o casamento está baseado em algo mais frágil do que a linhagem ou economia, mas no amor''. Para ele, por esse motivo a família é o único lugar real da solidariedade, onde se encontra o conforto nos momentos difíceis.
Na opinião dele, a política nunca foi tão importante. ''O que dá sentido à política é aquilo que ela possa dar aos nossos filhos. A questão política fundamental hoje é a seguinte: que mundo vamos deixar para os nossos filhos? Estamos falando de ecologia, economia e do choque de civilizações''.
Ateu declarado, ele defende, porém, que retirar o ensino da história das religiões é um absurdo, sob o ponto de vista cultural. ''Podemos ser laicos sem sermos hostis às religiões. Além do mais, isso apaixona os alunos''.
Ferry contou sobre o projeto implantado há uma semana na França que instituiu o ''serviço cívico''. ''Nós suprimimos o serviço militar e no lugar propomos aos jovens que assumam um compromisso na sociedade no âmbito de projetos de interesse geral: caridade, ecologia, entre outros. A ideia é que eles sejam pagos por isso, para sobreviverem, mas a escolha seja voluntária. E eu pedi aos reitores das universidades que esses compromissos do serviços cívicos valessem como crédito''. Serão criados 70 mil postos para esse projeto.
Ferry esteve em Curitiba para ministrar uma palestra sobre os segredos da vida, baseada no seu livro ''Aprendendo a Viver'', direcionada a estudantes e educadores.


