Viveiro em zôo protege ave em extinção
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sexta-feira, 06 de junho de 2003
Maigue Gueths<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O Zoológico de Curitiba inaugurou, ontem de manhã, um viveiro para a reprodução do papagaio-de-cara-roxa, uma das 54 espécies de animais em extinção no Paraná. São seis recintos separados, onde foram colocados seis casais do animal, e mais uma área destinada a abrigar os filhotes que nascerem. O viveiro fica em local isolado, fora da exposição ao público.
Trata-se de um projeto inédito no País, desenvolvido em parceria com a organização não-governamental Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS) e Universidade Federal do Paraná (UFPR). O objetivo é pesquisar cientificamente a reprodução do papagaio-de-cara-roxa em cativeiro. Caso a experiência dê certo, entre outubro e dezembro as aves devem estar chocando os primeiros ovos.
Os papagaios não são novos no zoológico. Desde 1997 o zôo vem recebendo animais apreendidos. Até então, eles ocupavam uma área comum. O problema é que o ambiente coletivo não favorecia a reprodução dos papagaios, já que a espécie é monogâmica. ''Esse convívio comum acabou sendo útil para que os papagaios escolhessem seus pares'', diz a bióloga Elenise Sipinski, que coordena o projeto de conservação do papagaio-de-cara-roxa na SPVS desde 1998. Na tentativa de reproduzir o habitat natural do animal, em cada recinto foi colocado um tronco oco de árvore para servir de ninho.
O objetivo final do projeto é obter novos espécimes que poderão ser reintroduzidos na natureza. Segundo Elenise, em 1999 a SPVS já fez uma experiência desse tipo, com sucesso. Três filhotes apreendidos foram colocados em ninhos onde já haviam filhotes, e os papagaios adultos acabaram alimentando e ''adotando'' o novo morador, sem problemas.
O papagaio-de cara-roxa cujo nome científico é Amazona brasiliensis é uma espécie endêmica, ou seja, existe apenas no litoral sul de São Paulo, no litoral do Paraná e no litoral norte de Santa Catarina, onde existem apenas 4 mil papagaios. Destes, entre 2 a 3 mil vivem em ilhas do Paraná, na região de Guaraqueçaba. A maior ameaça para a extinção da espécie é o tráfico de animais. Não se sabe a quantidade de animais existentes antigamente, mas, de acordo com Elenise, pescadores mais idosos contam que ''antes eles cobriam o céu de verde na hora da revoada''.


