Rio, 10 (AE) - O coordenador do Movimento Viva Rio, Rubens Cesar, disse hoje que a liberação de vendas de armas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) pode provocar um aumento da criminalidade no estado do Rio a longo prazo. Segundo ele, de cada dois jovens na faixa entre 15 a 29 anos que morrem no Rio, um é vítima de arma de fogo.
Apesar da derrota, Cesar afirmou que a decisão do STF não afetará a campanha de desarmamento, iniciada pelo governo estadual e pelo Viva Rio há três meses, que continuará. "Foi uma derrota pela redução da criminalidade", afirmou César.
Ele afirmou que a campanha ficará centralizada nas escolas das redes pública muncipal e estadual. "O nosso objetivo, agora, é o recolhimento de, pelo menos, mil assinaturas de apoio a proibição da venda de armas no Rio", frisou César.
"Vamos mostrar que a população aprovou e apóia a campanha do desarmaneto", ressaltou. As assinaturas serão enviadas ao Governo Federal. O governador Anthony Garotinho que está no exterior e não comentou o assunto.
O deputado estadual Carlos Minc (PT) - autor da Lei Estadual 3.219 que punia com multas, apreensão de material e até interdição de estabelecimentos que vendessem peças avulsas - concorda também que decisão dos ministros do STF contribuirá para o crescimento dos índices de violência.
"A questão não é discutir se o revólver é federal ou estadual, mas aprovar Leis que acabem com crimes que são praticados por armas", destacou o deputado. No entanto, Minc aposta numa decisão favorável à aprovação da lei no julgamento do mérito, que deverá ocorrer nos próximos meses. "Perdemos apenas uma batalha e ainda pudemos vencer a guerra", brincou o parlamentar.
Por outro lado, o resultado agradou a Associação Nacional dos Proprietários e Comerciantes de Armas (Anbca). "Foi a decisão da sensatez, porque desarmar a população não diminuiria a criminalidade", disse o diretor da associação, Leonardo Arruda. "Na verdade, o projeto iria provocar a venda ilegal de armas", destacou.
Para o presidente da Associação dos Delegados de Polícia do Estado do Rio (Adepol), Wladimir Reale, a lei estadual fere a Constituição, que regulamenta a questão bélica.
Decisão - Numa decisão unânime, os dez ministros do STF liberaram a comercialização de armas ontem (9) em todo o estado do Rio. A lei estadual havia sido sancionada em junho pelo governador Anthony Garotinho (PDT), que punia a venda e interditava as lojas que não cumprissem.
A decisão foi tomada no julgamento de liminar pedida em ação direta de inconstitucionalidade apresentada no fim de julho pelo Partido Social Liberal (PSL), representando a Associação dos Delegados de Polícia do Rio de Janeiro (Adepol).

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