Brasília, 22 (AE) - As viúvas da TAM, como ficaram conhecidas as mulheres que perderam seus maridos há quase três anos no acidente aéreo, querem que a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Judiciário investigue o acúmulo de funções do advogado Luiz Eduardo Arena Alvarez. "Ele é tudo no caso 402", disse hoje a presidente da Associação das Vítimas do Vôo 402, Sandra Asali. Das 99 vítimas no acidente, apenas seis eram mulheres.
Sandra informou hoje ao presidente da CPI do Judiciário, Ramez Tebet (PMDB-MS), que o advogado representa três interesses diferentes, no mesmo caso: a empresa proprietária do avião acidentado, a estatal Instituto de Resseguros do Brasil e a seguradora contratada pela TAM, Unibanco Seguros S/A. "Isso mostra um conchavo tremendo", suspeita Sandra.
No encontro com Tebet, a comissão de viúvas entregou um dossiê sobre a participação do advogado e a morosidade no julgamento dos pedidos de indenização. As viúvas solicitaram ainda que se apure os sucessivos adiamentos de decisões judiciais que a TAM tem conseguido para evitar o pagamento da tutela antecipada no valor de R$ 145 mil. A quantia seria posteriormente descontada da decisão final na Justiça.
Mas, conforme denunciou hoje a comissão de viúvas, a TAM não tem pago a ninguém esse valor. A própria Sandra diz que teria conseguido uma determinação judicial para pagamento de parcelas mensais desse total da tutela. Mas a empresa recorreu para exigir um imóvel como caução. "Isso é um absurdo, sou eu a vítima, foi o meu marido quem morreu", reclamou ao senador, que prometeu consultar os integrantes da CPI para verificar uma forma de ajudar as viúvas, que têm passado dificuldades financeiras para criar os filhos.
Pela manhã, a comissão esteve também com o deputado José Genoíno (PT-SP). Já de tarde, através da Mesa da Câmara, o deputado encaminhou requerimento à Aeronáutica pedindo o laudo completo do acidente. As viúvas necessitam do laudo completo para agilizar o processo de indenização. O deputado Genoíno pediu ao ministro da Justiça, Renan Calheiros, que recebesse de tarde as viúvas da TAM que lhe entregariam cópia do dossiê deixado no Congresso.
Elas temem que o caso cai no esquecimento, por isso recorrem a todas as autoridades. Em outubro, o acidente completará três anos. "No Brasil, quando ocorre uma tragédia há uma comoção nacional, mas depois a tragédia acaba esquecida", afirma Genoíno, citando que entre outros casos já apagados da memória está a explosão do shopping de Osasco.

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