Viúvas exigem resgate de corpos; petroleiros protestam
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terça-feira, 20 de março de 2001
Do Rio de Janeiro 
A dona de casa Ivanir Peixoto, viúva de Mário Sérgio Mateus, que morreu no acidente da P-36, afirmou que tomará todas as providências legais e cabíveis para forçar a Petrobras a resgatar o corpo de seu marido. Na quinta-feira meu coração já dizia que o túmulo de meu marido seria aquele caixão de ferro debaixo de 1,3 mil metros de água, disse.
Ontem, a viúva do operador Emanuel Portela Lima, Luzineide Santana Lima, disse que a Petrobras é uma empresa inconsequente, irresponsável e gananciosa. Para a Petrobras, os funcionários não são pessoas, mas apenas números de matrícula, declarou Luzineide. Ela contou que veio a Macaé porque fazia questão de enterrar o corpo do marido em sua cidade natal, São Sebastião do Passé, na Bahia.
Deus me deu forças para vir e lutar pelo meu marido. Eu queria levar seu corpo para casa. Agora sei que isso vai ser quase impossível. O casal tem dois filhos, um de 13 e outro de 7 anos. Como é que eu vou explicar para os meus filhos o que aconteceu?, perguntou Luzineide. O funcionário trabalhou durante quinze anos na empresa.
Ela contou que seu marido trabalhou por três meses no Canadá preparando a P-36 para sua instalação no Brasil. Ele me contava que muitas coisas tiveram de ser corrigidas na plataforma pela equipe brasileira no Canadá, disse.
Greve Os petroleiros de todo o País programaram manifestações e devem entrar em greve, de 24 horas, amanhã, quando se completa uma semana do acidente na plataforma P-36. A Federação Única dos Petroleiros (FUP) aprovou ontem indicativo de paralisação da categoria a partir da zero hora de quinta-feira.
Vamos fazer uma mobilização nacional para protestar contra a falta de segurança e por melhores condições de trabalho, disse o diretor de Imprensa da FUP, Antônio Carrara. O indicativo de greve foi aprovado depois que a P-36 afundou. Agora, os sindicatos estão discutindo a greve com a categoria, em assembléias, explicou Carrara.


