A dona de casa Ivanir Peixoto, viúva de Mário Sérgio Mateus, que morreu no acidente da P-36, afirmou que tomará todas as providências ‘‘legais e cabíveis’’ para forçar a Petrobras a resgatar o corpo de seu marido. ‘‘Na quinta-feira meu coração já dizia que o túmulo de meu marido seria aquele caixão de ferro debaixo de 1,3 mil metros de água’’, disse.
Ontem, a viúva do operador Emanuel Portela Lima, Luzineide Santana Lima, disse que a Petrobras é uma empresa ‘‘inconsequente, irresponsável e gananciosa’’. ‘‘Para a Petrobras, os funcionários não são pessoas, mas apenas números de matrícula’’, declarou Luzineide. Ela contou que veio a Macaé porque fazia questão de enterrar o corpo do marido em sua cidade natal, São Sebastião do Passé, na Bahia.
‘‘Deus me deu forças para vir e lutar pelo meu marido. Eu queria levar seu corpo para casa. Agora sei que isso vai ser quase impossível.’’ O casal tem dois filhos, um de 13 e outro de 7 anos. ‘‘Como é que eu vou explicar para os meus filhos o que aconteceu?’’, perguntou Luzineide. O funcionário trabalhou durante quinze anos na empresa.
Ela contou que seu marido trabalhou por três meses no Canadá preparando a P-36 para sua instalação no Brasil. ‘‘Ele me contava que muitas coisas tiveram de ser corrigidas na plataforma pela equipe brasileira no Canadᒒ, disse.
Greve Os petroleiros de todo o País programaram manifestações e devem entrar em greve, de 24 horas, amanhã, quando se completa uma semana do acidente na plataforma P-36. A Federação Única dos Petroleiros (FUP) aprovou ontem indicativo de paralisação da categoria a partir da zero hora de quinta-feira.
‘‘Vamos fazer uma mobilização nacional para protestar contra a falta de segurança e por melhores condições de trabalho’’, disse o diretor de Imprensa da FUP, Antônio Carrara. O indicativo de greve foi aprovado depois que a P-36 afundou. ‘‘Agora, os sindicatos estão discutindo a greve com a categoria, em assembléias’’, explicou Carrara.

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