Brasília, 22 (AE) - Viúvas de São Paulo e Alagoas fizeram hoje apelos à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Judiciário no Senado para que os responsáveis pelas mortes dos maridos delas sejam punidos. As mulheres que tiveram os maridos assassinados em Alagoas não encontram o apoio da Justiça para punir os culpados pelos crimes.
Elas fazem parte da Associação das Viúvas dos Prefeitos do Piauí. O outro apelo foi feito pela viúvas que perderam os maridos no acidente da TAM, há três anos, e que se queixam da aceitação na Justiça dos embargos propostos pela empresa para não pagar indenização. Essas mulheres integram a Associação Brasileira de Parentes e Amigos das Vítimas de Acidentes Aéreos.
O presidente da CPI, Ramez Tebet (PMDB-MS), disse às viúvas da TAM que, mesmo que o assunto não entre na pauta dos trabalhos, a comissão vai empenhar-se para o resolver. O relator Paulo Souto (PFL-BA) prometeu às viúvas do Piauí que a CPI adotará alguma posição sobre o assunto. De acordo com a denúncia
continuam impunes os autores dos assassinatos de oito prefeitos e de um deputado estadual, apesar de as Polícias Federal (PF) e Civil terem descoberto a trama dos crimes. O procurador-geral de Justiça, Antonio de Pádua Linhares, chegou a dizer que o assassinato do prefeito de Capitão de Campos, João Batista Filho
foi pago com dinheiro público. O pistoleito teria recebido R$ 3 mil da prefeitura comandada pelo adversário político de Batista Filho. Há crimes cometidos em 1989 que ainda não foram julgados.
A viúva Valmércia Pires de Moura Marques contou que o marido, Raimundo Marques, prefeito de Luzilândia, foi assassinado na frente dela, com um tiro na cabeça, em agosto de 1997. A polícia descobriu que o crime teria sido encomendado pelo prefeito de Madeiro, Antonio Lisboa da Silva. A PF anexou ao relatório sobre a investigação uma gravação telefônica em que Silva conta ao irmão que reside em Goiânia, Luiz Gonçalves, sobre o esquema para a polícia desviar as investigações, após a exumação do corpo da vítima, que não ocorreu. Mas o juiz-relator não aceitou a prova, mandando retirá-la do processo.
No caso da TAM, as viúvas informaram ao presidente da CPI que seguiram todos os trâmites da Justiça para obter a indenização, mas a empresa alega não ter culpa no acidente e que é a Fokker quem deve pagar a indenização. De acordo com a associação, a empresa estaria tentando lilvrar-se da responsabilidade, "como se os familiares dos mortos fossem os culpados por essa tragédia que destruiu 99 famílias e deixou mais de cem órfãos".

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