As mulheres viúvas de conflitos no campo distribuíram ontem, em Brasília, ramos de margaridas para mães que passeavam pela torre de TV, um dos principais pontos turísticos da cidade. O ato em comemoração ao Dia das Mães reuniu cerca de 200 viúvas. A entrega das flores foi uma manifestação em protesto contra a impunidade dos assassinatos de trabalhadores rurais e pela distribuição de mais terras para os pequenos produtores rurais.
Representantes da Contag, da CUT, de entidades indígenas e vários sindicatos também participaram do protesto, que faz parte do 4º Grito da Terra. Até sexta-feira, cerca de 1.500 sem-terra, sindicalistas e índios ficarão em Brasília na tentativa de negociar com o governo uma pauta de reclamações.
Mais uma vez, o local escolhido para a concentração será o Gran Circo Lar, mesmo lugar onde ficaram acampados os sem-terra que participaram da Marcha à Brasília. Hoje haverá uma passeata na Esplanada dos Ministérios.
As viúvas escolheram margaridas em homenagem à líder sindical assassinada Margarida Alves. Ela foi morta há quatro anos, época em que liderava o Sindicato das Trabalhadoras Rurais de Lagoa Grande (PB). O crime não foi julgado até hoje.
‘‘Essas flores representam as mães mortas no campo. Uma delas foi Margarida Alves. Ela morreu, mas várias margaridas ressurgiram contra a repressão’’, disse a coordenadora do Movimento Nacional das Trabalhadoras Rurais, Margarida Pereira.

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