Viúvas da P-36 protestam em frente à Petrobras
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sexta-feira, 15 de março de 2002
Agência Folha 
Rio de Janeiro - As viúvas dos mortos no acidente com a plataforma P-36 da Petrobras, que completou um ano ontem, realizam uma manifestação em frente à sede da empresa, no centro do Rio. Os parentes das vítimas vestiam uma camiseta preta com a seguinte frase: P-36: Você esqueceu? Nós não.
O momento de maior emoção foi a leitura de um poema por Ivanir Azevedo Couto, viúva de Ernesto de Azevedo Couto. Um trecho do poema diz a dor é minha e das famílias, mas a vergonha é nacional.
Após um ano, as mulheres dos 11 mortos na P-36 não receberam nenhum tipo de indenização da Petrobras. A empresa diz que não houve dolo no acidente. As famílias receberam um seguro e ajuda de custo para pagar o estudo dos filhos. Segundo o advogado Mário Sérgio Pinheiro, a Petrobras já deixou claro que não pretende pagar indenizações.
O fato de os mortos estarem em local de trabalho é um dos motivos para o pedido da indenização. Todos os relatórios - tanto da ANP (Agência Nacional do Petróleo), e do Crea (Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia) - mostram que a Petrobras contribuiu decisivamente para o acidente. As indenizações por danos materiais e morais poderão chegar até R$ 50 milhões para cada família, segundo o advogado das vítimas. O valor foi estimado com base na multa ambiental paga pela estatal em acidente ocorrido na Baía de Guanabara.
As viúvas dos 11 mortos na plataforma e o Sindicato dos Petroleiros querem entrar com ação de indenização na Justiça internacional contra o fabricante da válvula defeituosa que teria causado a explosão. A plataforma foi montada no exterior. Os advogados só aguardam que o nome do fabricante seja revelado para irem aos tribunais.


