''O vício falava mais alto, não tinha quem fizesse ele parar de fumar''. Essa foi a realidade enfrentada por dona Maria Luciana Porto Gonçalves durante o seu casamento com José Gonçalves, que morreu em agosto de 2001 aos 58 anos com doenças decorrentes do consumo do cigarro. A influência do tabaco na morte prematura de Gonçalves foi tão evidente que os próprios médicos sugeriram que a viúva entrasse com um ação por perdas e danos contra a União, o Ministério da Saúde e a empresa Souza Cruz. A ação foi impetrada pelo advogado Orlando Gomes e o processo será julgado pela 1 Vara da Justiça Federal em Londrina.
Dona Luciana contou que seu marido começou a fumar aos 12 anos de idade e, aos 30, já apresentava problemas de saúde. ''A gente tinha acabado de casar e ele não sabia que era doente. Um dia, desmaiou e descobriu que tinha doença no coração e no pulmão'', relembra. Segundo ela, o marido tentou parar de fumar algumas vezes, mas nunca conseguiu. ''Ele entrava em depressão e chorava desesperadamente. Aí, até o médico autorizava que ele fumasse três cigarros por dia, mas ele fumava três maços'', revela.
Seo José conseguiu trabalhar como pedreiro até 1992 quando precisou se aposentar. ''O câncer espalhou para a garganta e para a boca. No fim, ele já não conseguia beber nem pelo canudinho'', lembra dona Luciana.
Hoje, ela vive em Cambé e cuida de idosos doentes para poder sobreviver. Eles não tiveram filhos, mas ela ressalta que sempre ''adotaram'' crianças abandonadas, muitas vezes a pedido da própria promotoria da cidade. Atualmente, dois jovens ainda vivem com ela. Caso ganhe a ação, dona Luciana receberá uma pensão vitalícia no valor de dez salários mínimos e uma indenização de R$ 900 mil, R$ 300 mil por cada réu citado no processo.

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